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Reforma na UPA é vitrine que não resolve caos na saúde

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 10 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura

Desde janeiro, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Centro de Barra Mansa passou por uma série de reformas anunciadas pela nova gestão do prefeito Luiz Furlani como símbolo de um “compromisso com a saúde pública”. Nova pintura, cadeira odontológica, aparelhos de ar-condicionado e reformas pontuais em salas e enfermarias foram algumas das melhorias divulgadas com entusiasmo. Mas será que isso basta para resolver os entraves reais do sistema de saúde municipal?


A atual gestão tenta vender uma imagem de transformação estrutural quando, na prática, estamos diante de um processo mais cosmético do que sistêmico. Trocar o tom das paredes e instalar novos aparelhos não resolve gargalos como a superlotação, a falta de médicos em especialidades críticas, o déficit de leitos e o desgaste emocional dos profissionais que atuam em plantões exaustivos. O discurso de eficiência não pode esconder a precariedade estrutural que ainda compromete o atendimento à população mais vulnerável.


Os dados apresentados mostram mais de 12 mil atendimentos em abril, número expressivo que, em vez de comprovar eficiência, expõe o colapso da atenção básica. Se quase 90% das consultas são de baixa urgência (classificação verde), isso aponta para uma população sem acesso adequado a postos de saúde e consultas preventivas, que acaba recorrendo à UPA como única alternativa viável. Isso não é mérito da gestão — é sintoma de uma política pública falha, que abandona a saúde básica e sobrecarrega o pronto atendimento.


A celebração do tempo médio de espera, que gira em torno de 47 minutos para casos leves, é uma meta que ignora a realidade dos usuários que passam horas esperando ou desistem do atendimento. E ainda que o Protocolo de Manchester seja um avanço técnico, ele não substitui o investimento em mais profissionais, em escalas justas e em estrutura ambulatorial eficiente nos bairros.


A gestão de Furlani tem preferido a lógica da vitrine — reformar para mostrar, e não para transformar. Enquanto se exibe uma nova pintura nas paredes da UPA, faltam investimentos reais em prevenção, contratação de profissionais e reestruturação do sistema de saúde como um todo. Sem isso, continuaremos tratando sintomas, mas nunca curando a doença crônica da má gestão na saúde pública.


Foto Secom PMBM


 
 
 

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