Remoção do acervo de Haroldo de Campos da Casa das Rosas gera críticas e indignação
- Marcus Modesto
- 15 de fev.
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Cultura:
A retirada da biblioteca de Haroldo de Campos da Casa das Rosas, na Avenida Paulista, tem sido duramente criticada por intelectuais, pesquisadores e pelo próprio irmão do poeta, Augusto de Campos, que classificou a ação como um “crime cultural inominável”. A mudança, segundo a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, visa garantir melhores condições de preservação, mas levanta questionamentos sobre o acesso público e o esvaziamento do espaço cultural.
Composta por 21 mil volumes de alto valor literário, artístico e histórico, a biblioteca foi transferida para uma reserva técnica em Barueri. Além da remoção do acervo, funcionários responsáveis por sua manutenção foram demitidos, sem qualquer explicação convincente. Para Augusto de Campos, a decisão foi tomada sem transparência, ferindo o interesse público e comprometendo a missão da Casa das Rosas, que desde 2004 leva o nome de seu irmão.
A justificativa oficial da Secretaria de Cultura destaca que a consulta ao acervo seguirá disponível mediante agendamento. No entanto, especialistas alertam que a transferência dificulta o acesso e desconfigura o propósito do espaço, que após uma reforma de R$ 4,2 milhões foi reaberto em 2023 sem a principal coleção que o legitimava como referência literária.
Haroldo de Campos, falecido em 2003, é um dos mais influentes intelectuais brasileiros, com impacto internacional nos estudos de tradução, literatura e vanguardas artísticas. Para Nicollas Ranieri, pesquisador da Unicamp, sua biblioteca “é uma coleção única no mundo, um espaço de crítica e criação sem precedentes”.
Diante da falta de diálogo, a família não descarta buscar outra instituição para abrigar o acervo, caso a remoção se torne definitiva. O episódio reforça um problema recorrente na gestão cultural do país: decisões unilaterais que colocam em risco a preservação e o acesso à memória intelectual brasileira.




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