Retiro vira teste tardio após anos de negligência no trânsito
- Marcus Modesto
- 25 de mar.
- 2 min de leitura
O novo projeto de reordenamento viário para o Retiro, em Volta Redonda, não nasce como solução — nasce como confissão. Confissão de que o poder público assistiu, por anos, ao aumento dos acidentes, ao caos no fluxo e ao risco diário enfrentado por motoristas e pedestres sem agir na velocidade que a situação exigia.
Agora, com base em dados técnicos e no estudo do perito Pedro Santos Salim, a prefeitura apresenta mudanças que, na essência, não têm nada de inovador. Transformar vias em mão única é uma medida conhecida, aplicada em inúmeras cidades há décadas. O que chama atenção não é a solução — é o atraso.
A atuação da Secretaria Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana escancara uma prática recorrente: agir apenas quando o problema já saiu do controle. O Retiro não virou um ponto crítico da noite para o dia. O crescimento do bairro, o aumento do tráfego e os acidentes sucessivos foram sinais claros ignorados ao longo do tempo.
O próprio discurso do prefeito Antonio Francisco Neto reforça essa fragilidade ao admitir que, se não der certo, é possível voltar atrás. Ou seja: a população será submetida a uma mudança estrutural sem qualquer garantia concreta de resultado. Não é planejamento — é tentativa.
Enquanto isso, comerciantes e moradores, representados inclusive pela Associação Comercial, Industrial e Agropastoril de Volta Redonda, são chamados a confiar que, desta vez, a intervenção vai funcionar. Mas confiança não apaga o histórico de omissão nem reduz, por si só, os riscos enfrentados diariamente.
O Retiro, hoje, deixa de ser apenas um bairro com problemas de trânsito e passa a ser símbolo de uma gestão que reage tarde, testa soluções básicas como se fossem novidade e transfere para a população o custo da improvisação.
Se funcionar, será o mínimo esperado. Se não funcionar, será apenas mais um capítulo previsível de uma cidade que insiste em tratar problemas antigos como se fossem surpresas recentes.
Foto Cris Oliveira




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