Rio aposta em inteligência artificial e quer transformar a cidade em potência digital da América Latina
O Rio de Janeiro quer aproveitar a expansão da inteligência artificial para disputar uma posição entre os principais centros tecnológicos da América Latina. A estratégia envolve a instalação de grandes estruturas de processamento de dados, ampliação da infraestrutura digital e, principalmente, oferta de energia renovável em larga escala.
Um dos projetos mais ambiciosos é o Rio AI City, planejado para a Barra da Tijuca, nas proximidades do Parque Olímpico. A proposta é criar um grande complexo de data centers capaz de atender à crescente demanda de empresas de tecnologia, serviços de nuvem e aplicações de inteligência artificial.
A primeira etapa do empreendimento deverá contar com 1,5 gigawatt (GW) de capacidade energética, utilizando fontes renováveis. O projeto poderá chegar a 3,2 GW em uma fase posterior.
A dimensão dos investimentos dá uma ideia do tamanho da aposta. A Elea Data Centers anunciou inicialmente US$ 550 milhões para o projeto, mas a estimativa é de que os aportes possam alcançar cifras muito maiores ao longo da implantação, especialmente com a chegada de servidores, chips e outros equipamentos destinados à computação de alto desempenho.
Construção deve começar em 2027
O início das obras está previsto para o primeiro trimestre de 2027. A implantação completa poderá levar entre sete e dez anos e deverá movimentar o mercado de trabalho, com uma estimativa de aproximadamente 10 mil empregos diretos durante a construção.
A expectativa, porém, vai além dos postos de trabalho gerados diretamente pelo complexo. A prefeitura aposta na formação de um ambiente capaz de atrair empresas de tecnologia, profissionais especializados e novos negócios ligados à inovação.
A disponibilidade de energia é considerada um dos pontos decisivos para esse tipo de empreendimento. Sistemas de inteligência artificial exigem enorme capacidade de processamento e, consequentemente, grande quantidade de eletricidade para manter servidores e equipamentos funcionando continuamente.
Rio já tem presença relevante
O estado não parte do zero nessa corrida. O Rio de Janeiro ocupa atualmente a segunda posição entre as regiões brasileiras em infraestrutura de data centers, atrás de São Paulo.
São 76 MW em operação, 63 MW em construção e outros 40 MW em projetos planejados. Empresas do setor já mantêm unidades no estado, incluindo estruturas em São Cristóvão e na Pavuna.
O objetivo agora é transformar essa infraestrutura existente em uma cadeia tecnológica mais ampla. A ideia é reunir data centers, energia limpa, telecomunicações, computação em nuvem, inteligência artificial e segurança digital em um mesmo ecossistema.
Para a estratégia municipal, a disputa não será apenas pela instalação de servidores. A intenção é fazer do Rio um território atrativo para empresas que precisam de capacidade computacional, conectividade e energia para desenvolver produtos e serviços baseados em inteligência artificial.
Se os investimentos previstos avançarem conforme o planejamento, a cidade poderá entrar em uma nova disputa econômica: a de se tornar um dos grandes polos de processamento de dados e tecnologia da América Latina.




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