Rio celebra Lima Barreto com projeto que exalta a literatura das periferias
- Marcus Modesto
- 3 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
No dia 13 de maio, data em que se comemora o nascimento de Lima Barreto (1881–1922), a cidade do Rio de Janeiro prestará uma homenagem significativa a um dos mais importantes nomes da literatura brasileira. A Caixa Cultural inaugura o projeto “Labirinto Zona Norte”, uma iniciativa que propõe dar protagonismo à produção literária das periferias cariocas, em sintonia com o legado do escritor nascido no bairro de Todos os Santos.
Durante sete terças-feiras consecutivas, o projeto ocupará espaços culturais com uma programação diversa que vai do teatro à performance, passando por saraus, oficinas, cursos e lançamentos de plaquetes literárias. Mais do que uma simples reverência, o “Labirinto Zona Norte” é uma convocação ao debate sobre a centralidade cultural das regiões periféricas na construção da identidade brasileira.
“A Zona Norte costuma ser vista apenas pela ótica da carência ou do folclore. Mas foi e continua sendo um polo vital de criação artística”, afirma o escritor e jornalista Marcelo Moutinho, curador do projeto ao lado de Matheus Euzébio. Nascido e criado em Madureira, Moutinho ressalta que o evento é também uma resposta à invisibilização histórica dessas vozes.
A programação reúne nomes de peso como o premiado escritor Itamar Vieira Jr., a antropóloga Lilia Schwarcz e a crítica literária Beatriz Resende, ao lado de autores emergentes de comunidades como a Maré, ampliando o alcance e a diversidade das discussões propostas. A ideia é criar um espaço de troca entre diferentes gerações e territórios, conectando tradição e inovação dentro da literatura.
O projeto se alinha diretamente à obra de Lima Barreto, cuja escrita foi marcada pela denúncia das desigualdades sociais, do racismo e da exclusão política. Autor de livros como Triste fim de Policarpo Quaresma e Recordações do escrivão Isaías Caminha, Lima fez do subúrbio cenário e símbolo de resistência — e de sua obra ecoa até hoje a célebre crítica: “O Brasil não tem povo, tem público.”
Ao propor uma imersão nos labirintos criativos da Zona Norte, o evento não apenas homenageia Lima Barreto, mas também reitera o poder transformador da literatura que nasce nas margens — e que, aos poucos, ocupa com firmeza o centro do debate cultural.




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