Rio de Janeiro vai reforçar combate ao tráfico com helicóptero de guerra
- Marcus Modesto
- há 6 dias
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A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro está prestes a incorporar um helicóptero de guerra fabricado nos Estados Unidos, modelo Black Hawk, para reforçar as ações de enfrentamento ao tráfico de drogas e ao crime organizado nas comunidades cariocas. A iniciativa representa um marco na estratégia de segurança pública fluminense, que busca empregar tecnologia e equipamentos de maior capacidade tática diante da crescente violência urbana.
O Black Hawk é uma aeronave bimotor, blindada e com uso consagrado em operações militares ao redor do mundo. Ela é capaz de transportar até 11 soldados, além de tripulantes, e pode ser equipada com metralhadoras laterais e sistemas eletrônicos sofisticados de comunicação e defesa. No Brasil, o modelo já integra a frota das Forças Armadas, com pouco mais de duas dezenas de unidades operacionais.
O governo do Rio afirma que a medida responde ao uso de armamento cada vez mais pesado por parte das organizações criminosas, que frequentemente atacam aeronaves policiais durante operações terrestres. Em março deste ano, um copiloto da Polícia Civil foi baleado na cabeça durante ação na Zona Oeste do município, episódio que reforçou o argumento de autoridades para modernizar a frota aérea da segurança pública.
Críticas de direitos humanos e segurança proporcional
Organizações de direitos humanos e especialistas em segurança pública alertam para os riscos dessa abordagem militarizada em áreas densamente povoadas como as favelas cariocas. A preocupação é que o uso de aeronaves de grande porte e potencial ofensivo aumente o risco de danos colaterais a civis, sobretudo em situações de tiroteio intenso dentro de comunidades. “A segurança pública deve garantir proteção, não promover um cenário de guerra urbana”, afirmou um representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB.
Para defensores de uma maior rigidez, a aquisição representa a adaptação necessária diante da escalada do crime organizado, que em operações recentes demonstrou capacidade de confrontar forças estatais com armamento pesado e táticas sofisticadas. Já críticos ressaltam que sem políticas integradas de inteligência, inclusão social e controle judicial, a simples introdução de equipamentos de guerra pode aprofundar a sensação de insegurança entre moradores das áreas mais vulneráveis da cidade.
Contexto de violência e operações recentes
O anúncio acontece em um momento de intensa ofensiva contra o tráfico no Rio de Janeiro. Em outubro de 2025, as forças de segurança realizaram a maior operação policial recente nos complexos do Alemão e da Penha, mobilizando cerca de 2,5 mil agentes civis e militares para cumprir mandados de prisão e busca contra organizações como o Comando Vermelho. A ação, considerada uma das mais violentas da história do estado, deixou dezenas de suspeitos e policiais mortos e gerou discussões sobre a eficácia e os impactos das estratégias de combate direto ao crime organizado.
Foto Arquivo




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