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Rio repete o ciclo: mais um governador cai e escancara desgaste político crônico

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 25 de mar.
  • 2 min de leitura

.A decisão do Tribunal Superior Eleitoral que tornou Cláudio Castro inelegível por oito anos não é um fato isolado — é apenas mais um capítulo de uma sequência que parece não ter fim na política do Rio de Janeiro.


A condenação, baseada no uso indevido da máquina pública durante as eleições de 2022, recoloca o estado em um roteiro já conhecido: governadores eleitos, posteriormente derrubados por decisões judiciais, denúncias ou escândalos. A diferença, desta vez, é que o padrão se tornou tão recorrente que já não causa surpresa — apenas reforça a percepção de desgaste institucional.


O caso de Castro se soma a uma lista que inclui nomes como Wilson Witzel, afastado após impeachment, Sérgio Cabral, condenado em diversos processos de corrupção, e Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho, ambos atingidos por decisões de inelegibilidade. Em comum, todos carregam episódios que colocam em xeque a lisura da gestão pública no estado.


Mais do que a sucessão de nomes, o que chama atenção é a repetição do modelo: uso político da estrutura do Estado, decisões judiciais tardias e, em alguns casos, reabilitações que permitem o retorno ao cenário eleitoral. O vai e vem jurídico acaba criando um ambiente de instabilidade, onde a punição existe, mas nem sempre produz efeitos duradouros.


O próprio Luiz Fernando Pezão ilustra esse ciclo. Após ser considerado inelegível, voltou à disputa eleitoral e conseguiu se eleger prefeito, mostrando como as sanções, muitas vezes, têm prazo de validade curto diante da dinâmica política.


Enquanto isso, figuras como Francisco Dornelles também acabaram atingidas por decisões ligadas ao uso da máquina pública, evidenciando que o problema não se restringe a casos isolados, mas a uma prática mais ampla e estrutural.


A reação de Castro, ao afirmar que a decisão contraria a vontade de milhões de eleitores, segue um discurso recorrente entre políticos atingidos pela Justiça Eleitoral. No entanto, o argumento ignora um ponto central: o voto popular não legitima práticas ilegais. Quando há abuso de poder, o processo eleitoral deixa de ser equilibrado — e é justamente isso que a legislação busca coibir.


O que está em jogo vai além de nomes ou mandatos. O Rio de Janeiro enfrenta uma crise de confiança que se arrasta há anos. A cada nova condenação, reforça-se a sensação de que o estado gira em círculos, incapaz de romper com práticas que se repetem governo após governo.


No fim, a pergunta que permanece não é apenas quem será o próximo a cair, mas quando — e, principalmente, por quê o ciclo continua se repetindo sem que haja uma ruptura real



 
 
 

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