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Rioprevidência registra perdas milionárias em fundos do Banco Master e entra na mira da PF e do TCE-RJ

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 27 de mai.
  • 3 min de leitura

O Rioprevidência acumulou perdas expressivas em aplicações financeiras administradas pelo Banco Master, segundo documentos analisados pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. As investigações apontam que parte dos recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais foi aplicada em fundos considerados de alto risco, com baixa transparência e desempenho muito inferior ao esperado.


Entre os casos investigados está o fundo Texas I, que teria provocado uma das maiores perdas já registradas pela autarquia previdenciária estadual. O Rioprevidência investiu cerca de R$ 150 milhões no fundo entre junho e julho de 2025. Apenas alguns meses depois, em dezembro do mesmo ano, o valor das cotas despencou aproximadamente 90%, reduzindo o patrimônio para cerca de R$ 15 milhões, conforme relatório mensal da própria autarquia.


As investigações apontam que a forte desvalorização ocorreu devido à elevada concentração de ativos da carteira. Cerca de 96% dos recursos do fundo estavam aplicados em ações da empresa Ambipar, que já era alvo de apuração da Comissão de Valores Mobiliários por suspeita de manipulação de mercado.


Segundo os relatórios analisados pelos órgãos de controle, a CVM identificou movimentações coordenadas entre fundos e acionistas ligados à empresa, o que teria provocado valorização artificial das ações entre junho e agosto de 2024. Os papéis chegaram a subir de aproximadamente R$ 13 para R$ 97,35 antes de despencarem após a divulgação das investigações. A Ambipar nega irregularidades.


Outro fundo sob investigação é o Arena, que recebeu cerca de R$ 1 bilhão do Rioprevidência. Apesar de possuir carteira baseada principalmente em títulos públicos e ativos de renda fixa, o desempenho chamou atenção dos técnicos do TCE-RJ. Entre dezembro de 2024 e agosto de 2025, a rentabilidade média foi de apenas 4%, abaixo do CDI e até da caderneta de poupança no mesmo período.


O tribunal apontou falta de racionalidade econômica na operação. Segundo os técnicos, o próprio Rioprevidência possui estrutura suficiente para investir diretamente em títulos do Tesouro Nacional, sem necessidade de contratar fundos de terceiros e pagar taxas de administração e gestão.


Os relatórios também colocam sob suspeita os fundos Horizonte e Revolution, igualmente administrados pelo Banco Master. No caso do Revolution, o TCE-RJ destacou ausência de transparência nas operações e dificuldades para resgate dos recursos investidos.


Até julho de 2025, o Rioprevidência havia aportado aproximadamente R$ 415 milhões no fundo Revolution. Os documentos mostram que a autarquia foi a primeira investidora do fundo, aplicando R$ 100 milhões já no primeiro dia de funcionamento e realizando novos aportes logo no dia útil seguinte.


Para os técnicos do tribunal, o conjunto das operações revela possível desvio de finalidade na administração dos recursos previdenciários do estado, devido ao elevado nível de risco das aplicações e à ausência de critérios técnicos compatíveis com a proteção do patrimônio dos servidores públicos.


As investigações da Polícia Federal também analisam um suposto alinhamento político entre o ex-governador Cláudio Castro e o empresário Daniel Vorcaro, apontado como controlador do Banco Master. Segundo o inquérito, as operações teriam ocorrido sem análises técnicas adequadas, com elevada concentração de risco e utilização de intermediários para ampliar comissões e ocultar possíveis vantagens indevidas.


A defesa de Cláudio Castro nega qualquer irregularidade e afirma que os encontros entre o ex-governador e Daniel Vorcaro ocorreram dentro de agendas oficiais do governo.


Em nota, o Rioprevidência informou que resgatou R$ 1,4 bilhão de um dos fundos administrados pelo Banco Master em dezembro de 2025 e afirmou que avalia medidas judiciais e administrativas para tentar recuperar parte dos recursos aplicados nos demais fundos.


Cláudio Castro também declarou que o fundo Arena foi integralmente resgatado em 2025 sem prejuízo para a autarquia. Em relação ao fundo Revolution, o ex-governador afirmou que o pedido de resgate foi formalizado pelo Rioprevidência em janeiro de 2026.




 
 
 

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