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Rioprevidência sob suspeita: PF vê “mudança estratégica” antes de R$ 3,7 bilhões irem para o Banco Master

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 26 de mai.
  • 2 min de leitura

A Polícia Federal identificou indícios de que alterações promovidas pelo então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, na direção do Rioprevidência ocorreram pouco antes de o órgão destinar cerca de R$ 3,7 bilhões a produtos financeiros ligados ao Banco Master.


Segundo a investigação, as trocas no comando do fundo foram consideradas pela PF como uma “alteração estratégica” realizada imediatamente antes do início dos aportes bilionários. Para os investigadores, as mudanças facilitaram o “credenciamento célere” do banco e permitiram investimentos sem análise técnica adequada, além de possíveis descumprimentos de normas regulatórias.


O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais. De acordo com a apuração, entre outubro de 2023 e julho de 2024, o fundo aplicou R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Depois, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, outros R$ 2,01 bilhões foram direcionados para fundos estruturados ligados ao mesmo grupo econômico.


A PF suspeita que esses novos produtos tenham sido usados para contornar restrições regulatórias surgidas após os primeiros investimentos. A decisão judicial também menciona uma relação próxima entre Cláudio Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro.


“Nomeações estratégicas”


A investigação aponta que dirigentes alinhados à liberação dos investimentos teriam sido colocados em cargos estratégicos dentro do Rioprevidência. São citados Deivis Marcon Antunes, diretor-presidente; Eucherio Lerner Rodrigues, diretor de Investimentos; Pedro Pinheiro Guerra Leal, gerente de Investimentos e Operações; e Fernanda Pereira da Silva Machado, responsável pelo Controle Interno e Auditoria.


Segundo a PF, os gestores passaram a atuar “em desconformidade com a política de investimentos, com a legislação de regência e com os deveres fiduciários mínimos de prudência, diligência e motivação técnica”.


Mensagens encontradas no celular de Vorcaro, conforme a decisão, indicariam que determinados investimentos dependeriam de “alinhamento político” com o então governador. Os investigadores também destacam um suposto sincronismo entre encontros realizados por Castro e o banqueiro e os aportes subsequentes do Rioprevidência.


Viagens, encontros e alertas ignorados


A PF afirma que Castro e Vorcaro mantinham encontros frequentes, reuniões reservadas e viagens ao exterior, algumas delas com despesas custeadas pelo banqueiro.


Outro ponto destacado é que os investimentos teriam continuado mesmo após alertas formais do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, pareceres técnicos desfavoráveis e restrições regulatórias relacionadas às operações.


Na decisão, o ministro André Mendonça afirmou haver um “robusto conjunto de elementos indiciários” sobre possíveis irregularidades na condução dos investimentos do fundo previdenciário estadual.


A hipótese investigativa sustenta que a motivação das operações não teria sido técnica, mas baseada em uma relação pessoal entre o controlador do Banco Master e autoridades com poder de decisão sobre o Rioprevidência.


Defesa cita possível motivação política


O advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Cláudio Castro, afirmou que o ex-governador acompanhou a operação “com serenidade” e sugeriu possível motivação política na investigação.


“Eu vejo isso tudo nesse momento aí que nós estamos passando de eleições. Eu vejo que é possível que seja”, declarou. Em seguida, ponderou: “Isso é uma opinião minha, não é uma opinião que eu possa hoje confirmar”.



 
 
 

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