Rodrigo Drable entra na disputa eleitoral com candidatura ainda sob julgamento e sem bens declarados
- Marcus Modesto
- há 57 minutos
- 2 min de leitura
Marcus Modesto
A candidatura do ex-prefeito de Barra Mansa, Rodrigo Drable, a deputado estadual pelo Solidariedade chama atenção antes mesmo do início efetivo da campanha. Dados exibidos no sistema oficial de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme registros consultados nesta terça-feira (11), mostram que a candidatura aparece “aguardando julgamento”, assim como a situação do partido/federação.
Isso, é importante deixar claro, não significa que a candidatura tenha sido indeferida ou que exista irregularidade comprovada. Significa que, até a atualização indicada no sistema, o pedido ainda aguardava análise da Justiça Eleitoral. Mas o fato merece ser acompanhado de perto, especialmente porque Rodrigo Drable é uma figura conhecida da política do Sul Fluminense e pretende retornar à disputa eleitoral.
Outro dado que chama atenção é a declaração patrimonial. No cadastro eleitoral, consta a informação “não há bens a declarar”. O próprio sistema registra ainda que Drable é empresário. A informação, por si só, não representa ilegalidade: um candidato pode, dentro das regras eleitorais, declarar não possuir bens. Mas, politicamente, é um dado que naturalmente desperta questionamentos e merece transparência, principalmente quando se trata de alguém que já ocupou o cargo de prefeito.
Também impressiona o tamanho da estrutura financeira permitida para a disputa. O limite legal de gastos informado no cadastro para o primeiro turno é de R$ 1.270.629,01. É muito dinheiro para uma eleição estadual — e justamente por isso o eleitor tem o direito de acompanhar cada centavo arrecadado e gasto durante a campanha.
Uma candidatura que precisa explicar muito
Rodrigo Drable não é um candidato desconhecido. Foi prefeito de Barra Mansa e passou anos ocupando um dos cargos mais importantes da política municipal. Agora, ao tentar chegar à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, terá de enfrentar não apenas os adversários nas urnas, mas também o escrutínio público sobre sua trajetória política, administrativa e patrimonial.
A candidatura pendente de julgamento e a declaração de ausência de bens não devem ser transformadas automaticamente em acusações. Mas também não podem ser tratadas como detalhes irrelevantes.
Quem pretende representar o Sul Fluminense na Alerj precisa oferecer ao eleitor mais do que discurso, fotografia de campanha e promessa de renovação. Precisa apresentar transparência, coerência e explicações convincentes.
A política brasileira já ensinou que o eleitor não pode entregar um cheque em branco a ninguém.
E, no caso de Rodrigo Drable, a pergunta que começa a surgir é simples: o que exatamente o eleitor de Barra Mansa e do Sul Fluminense deve esperar de um candidato cuja candidatura ainda aguarda julgamento e que declara não possuir bens?
As respostas precisam vir antes do voto — e não depois.
Foto Arquivo




Comentários