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Saúde mental entra no debate climático com proposta de política nacional para atendimento às vítimas de desastres

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 24 de jun.
  • 2 min de leitura

A crescente frequência de enchentes, secas, deslizamentos e outros eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas tem ampliado um problema ainda pouco discutido no Brasil: os impactos psicológicos sofridos pelas populações atingidas. Com o objetivo de trazer o tema para o centro das discussões públicas, a organização Time To Act lançou a campanha “Saúde Mental Climática”, que também apoia a criação de uma política nacional voltada ao atendimento emocional e psicológico de vítimas de tragédias ambientais.


A proposta está prevista no Projeto de Lei 6151/25, apresentado pelos deputados federais Pompeo de Mattos e Fernanda Melchionna. O texto prevê a criação de uma estrutura permanente de acolhimento para comunidades afetadas por desastres climáticos, integrando áreas como saúde, assistência social, educação e defesa civil.


Entre as medidas previstas está a implantação do Sistema Nacional de Saúde Mental Climática e de Centros de Resiliência, Cura e Reconstrução de Comunidades, destinados a oferecer suporte emocional e fortalecer a recuperação coletiva após eventos extremos.


A fundadora da Time To Act, Luciana Brafman, afirma que a iniciativa nasceu a partir da observação dos efeitos duradouros que tragédias ambientais deixam sobre a população. Segundo ela, experiências acompanhadas nas Filipinas e, mais recentemente, nas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, evidenciaram a necessidade de incluir a saúde mental entre as prioridades da reconstrução.


Para a ativista, os danos emocionais costumam persistir muito depois da recuperação física das cidades. Ela ressalta que grupos vulneráveis, como povos indígenas, comunidades quilombolas, mulheres, moradores de periferias e população negra, frequentemente enfrentam consequências ainda mais severas.


Especialistas que atuaram no atendimento às vítimas das enchentes gaúchas relatam que os traumas afetaram principalmente crianças e adolescentes. O pedagogo Reinaldo Nascimento, que trabalhou em ações de acolhimento após a tragédia, observou comportamentos regressivos em muitas crianças, como medo de sons associados à chuva, dificuldades emocionais e insegurança em ambientes antes considerados seguros.


Outro aspecto destacado pelos defensores da proposta é a necessidade de combater a desinformação relacionada às mudanças climáticas. Estudos recentes apontam que uma parcela significativa dos brasileiros ainda demonstra ceticismo sobre a gravidade da crise climática, apesar do consenso científico sobre seus efeitos.


Pesquisadores identificam que a divulgação de informações baseadas em evidências científicas é uma das ferramentas mais eficazes para reduzir o negacionismo climático e ampliar o apoio da população a políticas de adaptação e prevenção.


Os idealizadores do projeto defendem que a reconstrução de cidades atingidas por desastres não pode se limitar à recuperação de infraestrutura. Segundo eles, a superação dos impactos emocionais e sociais deve fazer parte das estratégias de preparação e resposta às emergências climáticas, garantindo que comunidades inteiras consigam retomar suas atividades com mais segurança e qualidade de vida.




 
 
 

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