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Sanção a Moraes: um gesto político disfarçado de defesa dos direitos humanos

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 30 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

A recente sanção do ex-presidente americano Donald Trump ao ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Alexandre de Moraes, marca um dos episódios mais constrangedores da relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos nos últimos anos. Usando como justificativa a Global Magnitsky Act — uma legislação criada para punir violações graves de direitos humanos — Trump aponta Moraes como símbolo de autoritarismo judicial. O gesto, no entanto, soa mais como um recado político do que como uma defesa real das liberdades democráticas.


Não há ingenuidade: essa medida tem pouco a ver com princípios universais de justiça. Trata-se de um movimento estratégico que visa enfraquecer institucionalmente o governo Lula, deslegitimar o Judiciário brasileiro e, sobretudo, proteger o aliado ideológico de Trump: Jair Bolsonaro, que responde a uma série de acusações por tentar sabotar o processo eleitoral brasileiro.


Trump — que enfrenta seus próprios problemas legais nos EUA — sabe o valor de atacar instituições que se colocam como freios ao autoritarismo. Ao sancionar Moraes, ele tenta importar ao Brasil a lógica do “deep state” que usou para desmoralizar a justiça americana. É uma tentativa clara de transformar o STF em vilão e Bolsonaro em mártir.


Há críticas possíveis e legítimas à atuação de Moraes, especialmente no campo das decisões monocráticas e do uso intenso da censura. Mas é importante separar crítica institucional de campanha política. Trump não está preocupado com liberdade de expressão no Brasil. Ele está preocupado em blindar uma figura que, para seu eleitorado mais radical, representa a luta contra o “globalismo” e a esquerda latino-americana.


É grave que um país estrangeiro se sinta autorizado a punir um juiz da Suprema Corte de outro país por decisões tomadas dentro do marco legal e constitucional. Isso fere diretamente a soberania nacional. Se abrirmos esse precedente, o que impedirá futuras sanções a promotores, juízes ou parlamentares brasileiros que contrariem interesses de potências estrangeiras?


Lula respondeu com firmeza, mas o dano simbólico já está feito. O Brasil está, mais uma vez, no centro de uma guerra ideológica que não escolheu travar. E, como sempre, quem perde é a democracia — sequestrada por interesses que passam longe da Constituição e da ética pública.



 
 
 

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