Saneamento escancara desigualdade e expõe atraso histórico em Barra Mansa
- Marcus Modesto
- 2 de abr.
- 3 min de leitura
Por Marcus Modesto
A diferença no acesso ao saneamento básico entre Barra Mansa, Volta Redonda e Resende revela mais do que números: evidencia falhas de gestão, prioridades invertidas e uma dívida histórica com a população.
Enquanto os três municípios avançaram na coleta de esgoto, o tratamento — etapa essencial para evitar a poluição e proteger a saúde pública — segue como o principal gargalo, especialmente em Barra Mansa.
Dados recentes apontam que a cidade coleta cerca de 70% do esgoto, índice próximo ao de municípios vizinhos. No entanto, apenas cerca de 2,9% desse volume recebe tratamento. Na prática, o restante é despejado diretamente em rios e córregos.
Já em Volta Redonda, mais de 50% do esgoto coletado é tratado. Em Resende, o percentual varia entre 40% e 50%. A diferença coloca Barra Mansa em uma posição crítica no cenário regional.
Impacto direto no Rio Paraíba do Sul

O principal destino desse esgoto é o Rio Paraíba do Sul, que atravessa as três cidades e abastece milhões de pessoas no estado do Rio de Janeiro.
Especialistas alertam que a baixa taxa de tratamento em Barra Mansa contribui diretamente para a degradação do rio, elevando custos de tratamento da água e ampliando riscos ambientais e sanitários.
Abastecimento de água também preocupa
Outro indicador reforça a desigualdade. Enquanto Volta Redonda e Resende se aproximam da universalização do abastecimento, Barra Mansa ainda apresenta cobertura inferior, variando entre 60% e 77%.
Isso significa que milhares de moradores convivem com fornecimento irregular ou até mesmo sem acesso à água tratada — um problema que se soma à precariedade do esgotamento sanitário.
Falta de investimento e planejamento
A diferença entre os municípios não é explicada apenas por fatores técnicos. Para especialistas, o cenário reflete decisões administrativas ao longo dos anos.
Volta Redonda e Resende avançaram com investimentos em estações de tratamento e ampliação da rede. Já Barra Mansa enfrenta entraves como:
• baixa capacidade instalada de tratamento
• atraso em obras estruturais
• fragilidade na gestão do sistema
Sem planejamento consistente e continuidade administrativa, projetos acabam não saindo do papel.
Caminhos possíveis
Para reverter o quadro, especialistas apontam medidas já adotadas em outras cidades:
• ampliação e construção de estações de tratamento de esgoto
• busca por parcerias com a iniciativa privada
• melhoria na gestão e redução de perdas
• criação de mecanismos de controle e transparência
Segundo técnicos da área, o desafio não está na falta de soluções, mas na execução.
Consequências para a saúde
A deficiência no saneamento tem impacto direto na vida da população. A exposição a água contaminada aumenta o risco de doenças de veiculação hídrica, especialmente em áreas mais vulneráveis.
Além disso, o problema pressiona o sistema público de saúde com internações que poderiam ser evitadas.

Meta distante
O Marco Legal do Saneamento estabelece metas ambiciosas até 2033, incluindo 90% de tratamento de esgoto.
No ritmo atual, Volta Redonda e Resende caminham para atingir os objetivos. Barra Mansa, por outro lado, ainda está distante, principalmente no que diz respeito ao tratamento.
Um problema de prioridade
A comparação entre os três municípios deixa evidente que o saneamento não é apenas uma questão de infraestrutura, mas de prioridade política.
Sem mudanças estruturais e investimentos consistentes, Barra Mansa tende a permanecer como um dos principais pontos de lançamento de esgoto sem tratamento no Sul Fluminense — com impactos que ultrapassam os limites do município e atingem toda a região.




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