Satélites revelam destruição muito maior após terremotos na Venezuela
- Marcus Modesto
- há 1 minuto
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Uma análise realizada com imagens de satélite indica que os terremotos que atingiram o norte da Venezuela na última semana podem ter provocado danos em uma escala muito superior à registrada até o momento pelas autoridades do país. O levantamento aponta que quase 59 mil edificações podem ter sido afetadas pelos fortes tremores.
Os abalos sísmicos, que alcançaram magnitudes de 7,2 e 7,5, são considerados os mais intensos registrados em território venezuelano em mais de cem anos. Até agora, a tragédia já deixou ao menos 1.700 mortos, enquanto milhares de pessoas continuam desaparecidas e as equipes de resgate mantêm as buscas em diversas áreas devastadas.
A estimativa foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon com base em imagens captadas pelo satélite Sentinel-1, da Agência Espacial Europeia. Utilizando tecnologia de radar capaz de detectar alterações na superfície terrestre, os especialistas identificaram sinais compatíveis com colapsos estruturais e danos severos em construções espalhadas pela região afetada.
Segundo os pesquisadores Corey Scher e Jamon Van Den Hoek, aproximadamente 58.870 edifícios podem ter sido danificados ou destruídos. Eles ressaltam, porém, que os resultados ainda são preliminares e precisam ser confirmados por inspeções presenciais.
A metodologia empregada permite uma avaliação rápida de áreas atingidas por grandes desastres naturais, especialmente quando o acesso terrestre é limitado. Os dados servem como referência inicial para orientar operações de emergência e direcionar recursos para as regiões mais impactadas.
Os números apresentados pela análise remota diferem significativamente do balanço oficial divulgado pelo governo venezuelano. De acordo com informações apresentadas pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, foram contabilizadas até o momento 855 edificações danificadas, das quais 189 sofreram destruição total.
Especialistas explicam que discrepâncias desse tipo são comuns nas fases iniciais de grandes catástrofes. Enquanto os levantamentos oficiais dependem de vistorias presenciais, os sistemas de sensoriamento remoto conseguem avaliar extensas áreas em pouco tempo, embora sem substituir a verificação em campo.
A Nasa informou que continua colaborando com as operações de resposta ao desastre, fornecendo imagens e dados atualizados para auxiliar autoridades e organizações humanitárias. As informações obtidas pelos satélites ajudam a identificar regiões isoladas, danos em estradas e pontos prioritários para ações de busca e salvamento.
Cinco dias após os terremotos, bombeiros, agentes de defesa civil e voluntários seguem trabalhando entre os escombros na esperança de localizar sobreviventes. Paralelamente, cresce a mobilização internacional para atender a população afetada.
Entre as medidas emergenciais, foram concluídos reparos no porto de La Guaira, considerado estratégico para a chegada de ajuda humanitária. A expectativa é que a recuperação da estrutura acelere o desembarque de alimentos, medicamentos e equipamentos destinados às vítimas.
Enquanto os esforços de resgate continuam, o país também enfrenta o desafio de prestar assistência aos milhares de desabrigados e de lidar com o impacto humano de uma das mais graves tragédias naturais de sua história recente.




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