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Segurança em colapso: homicídios em alta, avanço do tráfico e o vazio de poder em Barra Mansa

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 28 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Matéria Especial | Segurança Pública


Por Marcus Modesto


Barra Mansa atravessa, em 2025, uma das fases mais graves de sua história recente no campo da segurança pública. O que antes era tratado como episódios pontuais de violência se consolidou em um padrão contínuo, letal e cada vez mais explícito. Os dados oficiais, ainda incompletos, e os registros públicos já disponíveis apontam para um cenário inequívoco: a cidade perdeu o controle sobre a própria segurança.


Levantamentos do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro (ISP-RJ) indicam que, entre janeiro e setembro de 2025, Barra Mansa contabilizou 51 mortes violentas letais intencionais. No mesmo intervalo de 2024, foram 44. A comparação revela um crescimento significativo antes mesmo do fechamento do ano. A partir de informações policiais e registros públicos posteriores a setembro, o número total de homicídios já ultrapassa a marca de 60 casos em 2025 — índice alarmante para o porte do município e indicativo de uma escalada fora de controle.


Ainda que os dados do último trimestre não estejam consolidados oficialmente, a insistência em aguardar números finais para reconhecer a crise soa como estratégia de negação. A violência não espera balanços estatísticos: ela se impõe no cotidiano da população.


A violência como rotina


A sucessão de homicídios em bairros distintos, muitas vezes com intervalos inferiores a 24 horas, deixou de causar espanto. Execuções em plena luz do dia, crimes com características de acerto de contas e assassinatos em áreas residenciais tornaram-se parte da paisagem urbana. A barbárie foi normalizada.



Esse padrão não se constrói por acaso. Ele revela disputa territorial, presença estruturada do crime organizado e ausência efetiva do Estado. Quando a violência se repete com previsibilidade, não se trata mais de criminalidade episódica, mas de um ambiente de insegurança permanente, no qual moradores vivem sob tensão constante e aprendem a conviver com o medo.


Quando o crime ocupa o lugar do Estado


Se os números já são graves, alguns episódios carregam um peso simbólico ainda maior. A distribuição de cestas de Natal associada ao tráfico de drogas em Barra Mansa é um desses marcos. O gesto, amplamente divulgado, não representa solidariedade, mas sim domínio.


Quando organizações criminosas assumem o papel de provedoras em comunidades vulneráveis, o recado é claro: o Estado não está presente. Trata-se de uma estratégia conhecida de controle social, construção de lealdade e afirmação de poder. O crime ocupa o espaço vazio deixado pelo poder público e transforma assistência básica em instrumento de submissão.



Esse tipo de ação não ocorre em territórios onde o Estado é forte, organizado e respeitado. O fato de ter ocorrido em Barra Mansa escancara a profundidade da crise.


Prefeitura omissa e Câmara inoperante


O colapso da segurança pública não pode ser atribuído apenas ao Executivo. A Câmara Municipal de Barra Mansa também falha de forma grave em seu papel institucional. Em vez de atuar como órgão fiscalizador, propositivo e indutor de políticas públicas, o Legislativo permanece inerte diante da escalada da violência.


Sob a presidência do vereador Paulo Sandro, a Câmara demonstra total falta de preparo para a responsabilidade que lhe cabe. Não há convocação de audiências públicas relevantes, não há pressão institucional consistente sobre o Executivo e tampouco articulação política capaz de colocar a segurança pública no centro do debate municipal. O silêncio do Legislativo é tão preocupante quanto a omissão da prefeitura.



A presidência da Casa, que deveria exercer liderança, coordenação e protagonismo político, se limita a uma atuação burocrática e esvaziada, incompatível com a gravidade do momento vivido pela cidade. A ausência de posicionamento firme evidencia despreparo para o cargo que ocupa e fragilidade institucional em um momento que exigiria pulso, articulação e coragem política.


Gestão Furlani: omissão e incapacidade de reação


Diante desse cenário, a gestão do prefeito Luiz Furlani se revela frágil e desconectada da realidade. Não há um plano municipal claro de enfrentamento à violência, nem iniciativas estruturadas de prevenção ou cobrança efetiva junto ao governo estadual.


A segurança pública, embora constitucionalmente responsabilidade do Estado, exige liderança política do município. Exige cobrança formal, integração entre forças, investimento em políticas preventivas e presença constante nos territórios mais afetados. Nada disso se materializa de forma concreta.



Barra Mansa segue sem comando, com um Executivo omisso e um Legislativo inoperante, deixando a população exposta à violência cotidiana.


A negação como política


A tentativa de minimizar a crise com base na ausência de dados oficiais definitivos não resiste à realidade. Estatísticas parciais, boletins de ocorrência, registros da imprensa e relatos da população constroem um quadro sólido demais para ser ignorado.


Ultrapassar 60 homicídios em um único ano, conviver com ações assistenciais do tráfico e assistir à passividade do poder público e do Legislativo configura abandono institucional.


Uma cidade entregue à própria sorte


Barra Mansa vive hoje um vazio de poder. Onde o Executivo falha, o crime avança. Onde o Legislativo se cala, a violência se consolida. O custo dessa combinação é pago diariamente pela população, sobretudo pelos mais pobres, que ficam presos entre o medo, o silêncio e a falta de alternativas.


A crise da segurança pública não é um acidente nem um fenômeno inevitável. Ela é resultado direto de omissões, despreparo e da incapacidade de enfrentar a realidade com a seriedade que ela exige. Cada dia sem ação efetiva amplia o domínio do crime e aumenta a lista de vítimas.


O que está em jogo não é narrativa política, mas vidas. E em Barra Mansa, elas seguem sendo perdidas diante da indiferença de quem deveria governar e fiscalizar.

Foto Arquivo



 
 
 

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