Segurança em Blocos: Proteção Necessária ou Sintoma de um Carnaval Sob Risco?
- Marcus Modesto
- há 3 dias
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A apreensão de 41 objetos perfurocortantes — entre facas, tesouras e estiletes — além de uma pistola de choque e diversos objetos metálicos durante as revistas no Bloco da Gold, no Circuito Preta Gil, no pré-carnaval do Rio de Janeiro, escancara uma contradição cada vez mais presente na maior festa popular do país: a celebração da alegria cercada por protocolos dignos de grandes operações policiais.
Com 1.500 policiais militares mobilizados ao longo do fim de semana e 23 pontos de revista espalhados pelas principais entradas do circuito, o esquema especial de segurança evidencia o quanto o Carnaval de rua deixou de ser apenas um espaço de espontaneidade para se tornar também um ambiente de alto risco. A presença de objetos que, à primeira vista, parecem inofensivos — como desodorantes e despelotadores — reforça a preocupação das autoridades com o uso de itens cotidianos como armas improvisadas em meio à multidão.
O episódio da prisão em flagrante de um homem tentando furtar o celular de uma foliã reforça outro problema crônico do Carnaval carioca: a criminalidade oportunista, que se aproveita da aglomeração, da distração e da sensação de liberdade que marca a festa. A ação rápida da Polícia Militar evita que o prejuízo seja maior, mas não elimina a sensação de vulnerabilidade que acompanha muitos foliões.
Embora a corporação destaque que as revistas são fundamentais para coibir crimes, evitar tumultos e garantir a segurança coletiva, os números da apreensão levantam um debate incômodo: por que tantas pessoas ainda insistem em levar objetos potencialmente perigosos para eventos de massa? Mais do que um desafio policial, o cenário aponta para uma questão cultural e social, onde a falta de consciência individual ameaça transformar a festa em palco de tragédias anunciadas.
O Carnaval segue vivo, vibrante e pulsante. Mas, cercado por grades, revistas e sirenes, ele também revela um retrato preocupante da sociedade, onde a alegria precisa caminhar escoltada para não se perder no caos.
Foto PM




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