Editorial - Senhor prefeito, a renúncia seria uma bênção para Barra Mansa
- Marcus Modesto
- 4 de jan.
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Por Marcus Modesto
Barra Mansa vive um colapso administrativo que já não pode ser tratado como dificuldade pontual ou discurso herdado do passado. Sob a gestão do prefeito Luiz Furlani, o município afunda em uma crise profunda, agravada por um dado alarmante: a dívida da cidade já se aproxima de meio bilhão de reais. Um rombo financeiro que ajuda a explicar — mas não justifica — salários atrasados, serviços sucateados e a completa perda de confiança na administração municipal.
Atrasar o pagamento dos servidores é ultrapassar a última linha vermelha da gestão pública. Não se trata de ajuste fiscal ou contingenciamento, mas de dignidade. O servidor municipal não pode ser transformado em credor forçado de uma administração desorganizada, que parece incapaz de planejar, priorizar e, sobretudo, governar. Quando falta salário, falta respeito.
A dívida bilionária em formação revela muito mais do que números: expõe uma gestão sem controle, sem transparência e sem rumo. Fornecedores deixam de receber, a economia local desacelera, serviços essenciais perdem qualidade e a população paga a conta de decisões equivocadas — ou da ausência delas. O município entra em um ciclo perigoso, no qual o atraso de hoje alimenta o colapso de amanhã.
O mais grave é a falta de um plano claro para estancar a sangria. O governo municipal insiste em normalizar o caos, enquanto tenta sobreviver politicamente. Discursos genéricos substituem ações concretas, e a responsabilidade é empurrada de um lado para outro, menos para onde deveria estar: no gabinete do prefeito.
Governar exige coragem para decidir e, quando necessário, coragem para reconhecer limites. Persistir no cargo, mesmo diante de salários atrasados, dívida próxima a meio bilhão e serviços em queda livre, não é resistência — é teimosia administrativa. É prolongar o sofrimento de uma cidade inteira.
Por isso, para muitos barramansenses, a renúncia do prefeito já não é vista como radicalismo, mas como um gesto de responsabilidade. Seria, talvez, a única atitude capaz de interromper a deterioração institucional e abrir caminho para uma reconstrução mínima da cidade.
Se ainda houver compromisso real com Barra Mansa, talvez a maior contribuição deste governo não seja insistir em ficar, mas permitir que o município tenha a chance de sair do fundo do poço. Em certos momentos, sair é mais digno do que continuar errando.
Foto Arquivo




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