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Sob pressão e atraso, gestão Caneda transfere responsabilidade da Aldir Blanc aos artistas em Barra Mansa

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 14 de jan.
  • 2 min de leitura

Faltando poucos dias para o fim do prazo da prestação de contas do Ciclo 1 da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), a Fundação Cultura Barra Mansa intensificou os alertas aos proponentes, mas evitou fazer uma autocrítica sobre a condução do processo ao longo de 2024. O envio das informações deve ser feito até 30 de janeiro de 2026, sob pena de o município ficar irregular e perder futuros repasses federais para a cultura.


O discurso oficial, liderado pelo presidente da Fundação, Alexandre Caneda, coloca sobre os ombros dos fazedores de cultura toda a responsabilidade pela regularidade do município, mesmo após um ciclo marcado por dúvidas, falhas de comunicação e dificuldades enfrentadas por diversos proponentes para executar e comprovar os projetos dentro das exigências burocráticas impostas.


Embora a Fundação destaque o repasse de cerca de R$ 1,19 milhão a 49 projetos culturais, concluído em dezembro de 2024, agentes culturais questionam a falta de acompanhamento técnico mais próximo durante a execução dos projetos. Muitos relatam que orientações chegaram tarde ou de forma fragmentada, o que agora transforma a prestação de contas em uma corrida contra o tempo.


Na prática, a gestão Caneda adota um tom rigoroso na reta final, reforçando normas, instruções e prazos, mas sem reconhecer que a própria Fundação deveria ter atuado de forma mais preventiva, pedagógica e transparente desde o início do ciclo. A prestação de contas, que deveria ser um procedimento natural de encerramento, acabou se tornando um ponto de tensão entre a administração cultural e os artistas locais.


Além disso, ao insistir que o cumprimento dos prazos é essencial para garantir novos repasses, a Fundação transfere o risco institucional para os proponentes, quando a responsabilidade pela boa gestão dos recursos públicos é, antes de tudo, da própria administração municipal.


A utilização da plataforma indicada pela Fundação e o cumprimento das normas do Ministério da Cultura são, sem dúvida, obrigações legais. No entanto, o episódio expõe fragilidades na condução da política cultural em Barra Mansa, levantando o debate sobre o papel da Fundação Cultura: ser apenas fiscalizadora no final do processo ou parceira efetiva dos fazedores de cultura do início ao fim.


O resultado desse modelo pode custar caro. Caso ocorram falhas na prestação de contas, não apenas os artistas podem ser prejudicados, mas todo o setor cultural do município, que depende da continuidade dos repasses federais. Uma situação que reforça a necessidade de mais diálogo, planejamento e responsabilidade institucional — algo que vai além de comunicados formais e discursos de última hora.

Foto Arquivo


 
 
 

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