STF Fashion: Estilo ou Desconexão com a Realidade?
- Marcus Modesto
- 7 de fev. de 2025
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Em meio a uma série de desafios que assolam o país — da crise na saúde e educação à corrupção e à lentidão do Judiciário — o Supremo Tribunal Federal encontrou tempo para inovar no figurino. Durante a sessão plenária desta quinta-feira (6), os ministros estrearam gravatas e lenços personalizados com o símbolo do Tribunal, uma iniciativa descrita pelo presidente da Corte, Roberto Barroso, como uma maneira “gentil” de retribuir presentes recebidos em visitas oficiais.
O episódio poderia ser encarado como um mero detalhe protocolar se não escancarasse a total desconexão da mais alta instância do Judiciário com as prioridades da população. Em um país onde milhões de processos se arrastam por anos nos tribunais e onde a confiança no STF oscila conforme suas decisões polêmicas, a preocupação com acessórios personalizados soa, no mínimo, frívola.
A tentativa de modernizar a imagem da instituição, tornando-a mais “leve” e “acessível”, revela um viés preocupante: a substituição do compromisso com a justiça por estratégias de comunicação e branding. Como se o problema do STF fosse uma questão de estética, e não de eficiência, imparcialidade e credibilidade.
Se há algo que os ministros deveriam estampar — em suas gravatas ou lenços — é o compromisso inabalável com a Constituição e com os cidadãos que esperam um Judiciário digno, ágil e isento de vaidades. No entanto, parece que a toga, símbolo de sobriedade e responsabilidade, já não basta. Agora, é preciso criar um “STF Fashion” para distrair a opinião pública. Enquanto isso, a fila dos processos cresce e a justiça, mais uma vez, se distancia do povo.




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