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STF promove acareações entre militares e delatores da trama golpista; defesa de Bolsonaro acompanhará

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 24 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

O Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para uma etapa crucial nas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado que sacudiu a República após as eleições de 2022. Nesta terça-feira (26), às 10h, será realizada a acareação entre o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, e o general Braga Netto, ex-ministro e candidato a vice-presidente na chapa derrotada. Ambos são réus no chamado núcleo 1 da “trama golpista” e se enfrentarão pessoalmente diante do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.


A audiência, marcada para ocorrer em ambiente fechado — sem presença da imprensa ou transmissão — ganhou ainda mais peso após a autorização dada por Moraes para que todas as defesas dos réus possam acompanhar o encontro. Entre elas, a defesa do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro, representada pelo advogado Celso Vilardi, que havia solicitado participação formal. O ministro considerou o pedido desnecessário: “Todas as defesas dos co-réus têm o direito de participar das acareações. Julgo prejudicado o pedido”, decidiu.


A acareação foi requerida pela defesa de Braga Netto, numa tentativa de confrontar as acusações feitas por Mauro Cid no acordo de delação premiada firmado com a Polícia Federal. Em seu relato, Cid acusa o general de envolvimento direto no plano golpista conhecido como “Punhal Verde e Amarelo”, que previa até o assassinato de autoridades. Em outro ponto, afirma ter recebido de Braga Netto uma sacola de vinho recheada de dinheiro, a ser entregue a militares ligados ao suposto grupo de elite do Exército, os chamados “kids-pretos”.


Braga Netto, interrogado por Moraes no início do mês, negou qualquer envolvimento com a conspiração e afirmou desconhecer o plano golpista. Também rejeitou a versão do repasse de valores a Cid.


O general está preso desde dezembro do ano passado, acusado de tentar obstruir as investigações e de buscar ilegalmente informações sobre os conteúdos da delação de Cid — o que, segundo a PF, configura tentativa deliberada de atrapalhar o trabalho da Justiça.


Logo após a acareação entre Cid e Braga Netto, às 11h, ocorrerá outra audiência, entre o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército. Torres, que também foi secretário de Segurança Pública do DF na época dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, é outro réu do núcleo central da trama.


Com os militares cada vez mais expostos no epicentro do processo penal e as delações colocando sob suspeita a cúpula do antigo governo, o Supremo sinaliza que pretende aprofundar as conexões entre planejamento, financiamento e execução do plano para romper a ordem democrática no país.


As audiências desta terça podem marcar um divisor de águas: ou reforçam as evidências da conspiração ou ampliam o confronto de versões dentro de um caso que já se tornou um dos mais delicados da história recente do Brasil.



 
 
 

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