“Só a ponta do iceberg?” Novo rombo reacende lembrança do escândalo na folha de pagamento
- Marcus Modesto
- há 24 horas
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O decreto de calamidade financeira na Assistência Social, assinado pelo prefeito Luiz Antônio Furlani Filho, após a constatação de um desfalque superior a R$ 13,6 milhões, trouxe à tona uma inquietação que já circula nos bastidores políticos de Barra Mansa: será que o problema é pontual ou estamos diante de algo mais profundo?
A Prefeitura atribui o rombo a um servidor público, já identificado e preso. No papel, trata-se de um caso de peculato. Na prática, a dimensão do valor levanta dúvidas sobre os mecanismos de controle interno da administração municipal.
Mas não é a primeira vez que um escândalo financeiro provoca forte repercussão e, depois, silêncio.
O rombo na folha e o silêncio posterior
Há pouco tempo, o município também enfrentou questionamentos envolvendo um suposto rombo na folha de pagamento. O tema ganhou destaque, gerou debates e cobranças públicas. Depois, o assunto simplesmente saiu de cena — sem relatórios amplamente divulgados, sem explicações detalhadas à população e sem desdobramentos transparentes.
Agora, diante de um novo impacto milionário nos cofres públicos, a lembrança daquele episódio retorna inevitavelmente.
A repetição do padrão — crise, repercussão e posterior silêncio — preocupa.
Falha isolada ou problema estrutural?
Desvios milionários não acontecem em um único ato administrativo. Eles passam por setores financeiros, contabilidade, controle interno e conselhos gestores. Quando falham os filtros institucionais, a responsabilidade não pode ser tratada apenas como individual.
O decreto reconhece que contratos essenciais poderão ser suspensos ou revistos. Isso significa que serviços destinados à população vulnerável podem sofrer cortes ou atrasos.
Enquanto isso, a sociedade espera respostas claras:
• O que foi feito após o episódio da folha de pagamento?
• Houve auditoria independente?
• Os sistemas de controle foram reforçados?
• Quem fiscaliza quem fiscaliza?
Transparência ou repetição do roteiro?
A expressão que circula nos bastidores é direta: “isso pode ser só a ponta do iceberg”.
Se o rombo atual for tratado apenas como um caso isolado, sem ampla abertura de dados e prestação de contas detalhada, o risco é repetir o roteiro anterior — indignação inicial seguida de esquecimento institucional.
Crises administrativas exigem mais que decretos. Exigem explicações públicas, responsabilização em todas as esferas e, principalmente, reconstrução da confiança.
Porque, quando milhões desaparecem de áreas sensíveis como a Assistência Social, o problema não é apenas contábil. É político.
foto arquivo




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