Tarifaço de Trump acende alerta em municípios brasileiros com forte dependência das exportações aos EUA
- Marcus Modesto
- 9 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
O anúncio do ex-presidente americano Donald Trump de que pretende retomar uma política agressiva de tarifas sobre produtos importados, caso retorne à Casa Branca, acendeu um sinal de alerta em centenas de municípios brasileiros. Em 2024, os Estados Unidos foram o segundo maior parceiro comercial do Brasil, movimentando US$ 40,3 bilhões — o equivalente a 12% de tudo o que o país exportou no ano.
Mais de 1.100 municípios brasileiros venderam produtos diretamente aos EUA no último ano. Para 537 deles, os norte-americanos foram o principal destino das exportações. Se o tarifaço sair do discurso e virar política efetiva, os impactos podem ser sentidos diretamente na economia local de dezenas de cidades, com risco de queda nas receitas, desemprego e retração econômica.
Algumas dessas cidades têm altíssima dependência do mercado norte-americano. É o caso de Salete (SC), que destina 93% de suas exportações de madeira aos EUA; Gavião Peixoto (SP), onde a Embraer é a principal exportadora e 63% das vendas vão para os americanos; e cidades produtoras de café como Espera Feliz e Manhumirim (MG), onde o grão é um dos pilares da economia local.
Também estão sob risco localidades como Colina (SP) e Conde (BA), grandes exportadoras de suco de frutas, que podem enfrentar perdas com a aplicação de tarifas que encareçam seus produtos no mercado americano.

Economistas alertam que o retorno de uma política protecionista nos EUA pode desencadear uma reação em cadeia, dificultando o escoamento da produção brasileira, pressionando os preços internos e afetando a balança comercial. Municípios com pouca diversificação econômica tendem a ser os mais impactados.
A situação exige atenção dos governos locais, que precisam mapear riscos, buscar novos mercados e investir em estratégias de diversificação produtiva. A dependência excessiva de um único parceiro comercial, especialmente em tempos de incerteza geopolítica, pode representar um gargalo para o desenvolvimento sustentável das cidades brasileiras.
Enquanto o futuro político dos EUA segue indefinido, o impacto do discurso de Trump já é sentido como uma sombra sobre o desenvolvimento regional do Brasil — especialmente em municípios que, por falta de apoio ou planejamento, ainda estão vulneráveis aos humores da política externa de outros países.




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