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Tarifaço de Trump impõe baque à indústria brasileira e escancara fragilidade nas exportações

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 3 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

A partir da próxima quarta-feira (6), entra em vigor o tarifaço decretado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — uma medida unilateral que já começa a deixar marcas profundas na indústria brasileira. Mesmo antes de sua aplicação oficial, os efeitos da nova tarifa se espalham como um rastilho de pólvora pela cadeia produtiva nacional, evidenciando a dependência de setores inteiros ao mercado norte-americano.


Dados do Ministério da Economia apontam que produtos agora atingidos pela sobretaxa somaram US$ 14,5 bilhões em exportações no ano passado. Muitos deles, como lâminas de aço utilizadas em bombas de extração de petróleo, foram desenvolvidos sob medida para atender demandas específicas dos EUA. Sem alternativas imediatas de destino, o risco de encalhe e prejuízos se torna inevitável.


Na Grande São Paulo, uma metalúrgica que há mais de 20 anos fornece esse tipo de peça para uma empresa americana já se prepara para o pior. Com a entrada em vigor da nova tarifa, os produtos brasileiros ficarão 50% mais caros, colocando em xeque a competitividade diante de concorrentes como a China, que opera com custos de produção muito mais baixos.


“Esse produto é feito no mundo inteiro. A China é extremamente competitiva. A tarifa menor de lá pode nos tirar do jogo”, alerta Moacir Matsuda, gerente comercial da empresa. Apenas o contrato com os EUA representa 20% do faturamento anual da fábrica.


O problema, no entanto, não termina aí. O fornecedor de aço em Minas Gerais, que abastece a metalúrgica paulista, já sente a retração. Com o cancelamento da compra de matéria-prima para setembro, o impacto se espalha para transportadoras e empresas de logística, num efeito cascata que ameaça desorganizar setores inteiros.


“Vamos ter que redirecionar os caminhões para outras rotas. Isso desequilibra o mercado, com mais veículos disponíveis e menos carga para transportar”, explica Tony Bernardini, CEO de uma transportadora.


As incertezas quanto à manutenção de contratos e à viabilidade econômica das exportações congelaram investimentos e frustraram planos de expansão. “Tínhamos uma projeção de crescimento para a fábrica. Agora estamos em compasso de espera. É um baque danado”, lamenta Matsuda.


O professor Sergio Goldbaum, da FGV, aponta que a busca por novos mercados pode levar anos. “Além da perda de investimentos de décadas, há o desafio de adaptar os produtos a normas técnicas e sanitárias diferentes. Não há solução fácil — nem rápida.”


Mais do que um choque pontual, o tarifaço de Trump escancara uma fragilidade estrutural da economia brasileira: a excessiva dependência de poucos mercados e a baixa diversificação de destinos e produtos. A conta, como sempre, recai sobre a indústria nacional — e sobre os trabalhadores que dela dependem.


 
 
 

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