Tarifa dos EUA ameaça indústria fluminense e pode atingir cadeia produtiva do Sul Fluminense
- Marcus Modesto
- 24 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
O anúncio de que os Estados Unidos devem impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto acendeu o sinal de alerta na indústria do Rio de Janeiro — e o impacto pode ser severo no Sul Fluminense. A medida, defendida pelo ex-presidente Donald Trump e ainda não formalizada oficialmente por Washington, pode gerar uma perda de até R$ 830 milhões no Produto Interno Bruto (PIB) fluminense, segundo estimativas preliminares da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
Os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações fluminenses, atrás apenas da China. Só em 2024, o Rio enviou cerca de US$ 7,4 bilhões ao mercado norte-americano, sendo 90% concentrados em petróleo e aço — setores diretamente afetados pela medida protecionista anunciada.
Região Sul Fluminense no centro da preocupação
Cidades do Sul Fluminense, como Volta Redonda, Resende e Barra Mansa, podem ser particularmente atingidas. A região concentra parte importante do setor metalúrgico do estado, com destaque para a siderúrgica CSN e diversos fornecedores que compõem sua cadeia produtiva. A retração das exportações pode afetar diretamente o volume de produção, contratos internacionais e, consequentemente, os empregos.
Segundo a Firjan, os setores de petróleo e metalurgia respondem por aproximadamente 88 mil empregos diretos no estado, e os impactos de uma redução na demanda internacional se espalham rapidamente por toda a cadeia industrial, atingindo especialmente as pequenas e médias empresas.
“O Sul Fluminense tem um ecossistema industrial que depende de estabilidade e previsibilidade nas relações comerciais. Qualquer entrave, especialmente com um parceiro estratégico como os Estados Unidos, afeta desde as grandes plantas até os prestadores de serviço locais”, afirma um estudo interno da Firjan Regional Sul Fluminense.
Medidas emergenciais em debate
Diante da gravidade da situação, o governo estadual montou um grupo de trabalho emergencial que reúne representantes da Firjan, da Fecomércio e da Associação Comercial. A iniciativa busca traçar estratégias para mitigar os efeitos da medida tarifária e deve apresentar, nos próximos dias, uma nota técnica com propostas de curto prazo.
O secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione, afirmou que a prioridade será proteger os pequenos negócios, que têm menor capacidade de absorver perdas. “A gente vai avaliar linhas de crédito com apoio da Age-Rio para que essas empresas possam sobreviver ao impacto”, declarou.
Empresariado cobra ação diplomática imediata
Para o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, apenas uma solução diplomática com os Estados Unidos poderá evitar um prejuízo ainda maior para a economia fluminense. Ele defende que o governo federal atue com rapidez para negociar uma saída.
“O único caminho razoável é o diálogo. O Brasil não pode aceitar uma medida dessa dimensão sem buscar uma resposta clara e firme no campo diplomático”, disse.
Enquanto isso, empresários do Sul Fluminense acompanham com preocupação os desdobramentos. A indefinição afeta decisões de investimento, planejamento de produção e negociações com clientes no exterior.
Reflexos para além da indústria
Além do setor industrial, os impactos da tarifa tendem a se alastrar por outras áreas da economia regional, como transporte, comércio e serviços. A retração no setor exportador pode gerar um efeito dominó, desacelerando o ritmo econômico em municípios que já enfrentam desafios estruturais.
A expectativa agora recai sobre a articulação entre Brasília e Washington, em meio a uma relação bilateral marcada por tensões e incertezas desde o retorno de Donald Trump ao cenário internacional. Para o Sul Fluminense, o tempo é curto — e o risco, concreto.




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