Tarifas dos EUA expõem oportunismo eleitoral de Zema e Caiado
- Marcus Modesto
- 2 de jun.
- 2 min de leitura
A decisão dos Estados Unidos de impor novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros abriu mais um capítulo da disputa política antecipada para as eleições presidenciais de 2026. Antes mesmo de qualquer esforço concreto para buscar soluções diplomáticas ou minimizar os impactos para a economia nacional, os pré-candidatos à Presidência da República, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, correram para apontar culpados.
O alvo escolhido foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para ambos, a taxação seria resultado de falhas na política externa do governo federal. O que chama atenção, porém, é a rapidez com que os dois transformaram uma questão econômica e diplomática complexa em mais um palanque eleitoral.
Nem Zema nem Caiado apresentaram propostas objetivas para enfrentar a crise comercial criada pela decisão norte-americana. Preferiram recorrer ao discurso político de desgaste do governo, ignorando que a medida foi anunciada unilateralmente por Washington e faz parte de uma estratégia protecionista adotada pelos Estados Unidos em diversas frentes comerciais.
Outro aspecto curioso é o silêncio em relação ao senador Flávio Bolsonaro. Enquanto o Palácio do Planalto atribui parte da crise à atuação política do parlamentar junto ao ex-presidente Donald Trump, os dois pré-candidatos evitaram qualquer menção ao aliado ideológico presente no mesmo evento em Belo Horizonte.
A omissão não passou despercebida. Se o objetivo é discutir as causas da crise, por que ignorar um dos personagens centrais do debate? A seletividade das críticas sugere que a preocupação maior pode não ser exatamente a defesa dos interesses nacionais, mas a preservação de alianças políticas de olho na disputa presidencial.
No caso de Romeu Zema, o discurso de que o Brasil perdeu credibilidade internacional esbarra em uma realidade conhecida: relações comerciais entre países são determinadas por interesses econômicos e estratégicos, muitas vezes acima de simpatias ideológicas. Simplificar um conflito comercial dessa magnitude a uma suposta falha diplomática pode render manchetes, mas pouco contribui para compreender o problema.
Já Ronaldo Caiado aproveitou a oportunidade para retomar bandeiras ligadas à segurança pública e ao combate ao crime organizado. Embora sejam temas importantes, pouco têm relação direta com a taxação anunciada pelos Estados Unidos. A impressão é que qualquer assunto virou oportunidade para reforçar narrativas eleitorais.
Enquanto isso, produtores rurais, exportadores e trabalhadores brasileiros seguem aguardando respostas concretas. O setor produtivo precisa de negociações, articulação diplomática e estratégias para preservar mercados. O que recebeu, até agora, foi mais uma troca de acusações entre adversários políticos.
A crise das tarifas pode até gerar dividendos eleitorais para alguns pré-candidatos. Mas a pergunta que permanece é outra: quem está realmente preocupado em resolver o problema e quem está apenas tentando transformá-lo em combustível para a campanha de 2026?

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