“Tarifaço de Trump ameaça exportações brasileiras e acende alerta em São Paulo e Rio”
- Marcus Modesto
- 13 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
O pacote tarifário prometido por Donald Trump pode virar um pesadelo para o Brasil em pleno segundo semestre de 2025. Com alíquotas de até 50% sobre produtos de origem brasileira, o impacto da medida anunciada pelo ex-presidente dos EUA já começa a ser calculado por setores estratégicos da economia nacional. Entre os mais ameaçados estão a aviação, petróleo, agronegócio e a indústria de base — com São Paulo e Rio de Janeiro na linha de frente das perdas.
Um levantamento da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio) mostra que São Paulo respondeu por US$ 6,4 bilhões em exportações aos EUA só no primeiro semestre deste ano. O estado é responsável por embarques de aeronaves (graças à Embraer, sediada em São José dos Campos), suco de frutas — sobretudo laranja — e equipamentos de engenharia. O Rio de Janeiro, segundo colocado, somou US$ 3,2 bilhões, com destaque para óleos brutos, combustíveis de petróleo e produtos siderúrgicos.
Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul também estão no mapa do prejuízo, com mais de US$ 5 bilhões em exportações combinadas, abrangendo desde café e celulose até cimento, tabaco e calçados.
A Embraer surge como uma das companhias mais vulneráveis ao tarifaço. Segundo relatório da XP Investimentos, o mercado norte-americano representa cerca de 24% da receita da empresa. Outro setor em alerta é o de calçados, que vinha registrando sinais de recuperação. “É um grande balde de água fria. Justamente quando vínhamos reconquistando o mercado nos Estados Unidos”, afirmou Haroldo Ferreira, diretor-executivo da Abicalçados. Em junho, o setor registrou alta de 40% nas exportações para os EUA.
O risco de retração também atinge a infraestrutura portuária. O Porto de Santos, responsável por mais de um terço das exportações brasileiras para os Estados Unidos, pode sofrer quedas relevantes na movimentação de cargas. Outros terminais, como Itaguaí (RJ), Rio de Janeiro e Vitória (ES), também devem sentir os reflexos, com possíveis perdas de receitas portuárias e redução de demanda logística.
Apesar de a participação dos EUA representar cerca de 2% do total exportado pelo Brasil, o economista Felippe Serigati, da FGVAgro, alerta para os efeitos em setores específicos. “Produtos como suco de laranja, carne, café, papel e celulose serão fortemente atingidos. A perda de competitividade pode ser imediata”, explica.
A busca por novos mercados aparece como solução natural, mas o processo está longe de ser simples. Com mais de 86% dos produtos exportados para os EUA sendo transportados por navios, o país pode encarar um desafio logístico e comercial inédito, caso Trump leve o tarifaço adiante em agosto.
Para exportadores, industriais e operadores portuários, a expectativa agora é por algum tipo de recuo ou negociação diplomática — ainda que, com o cenário eleitoral americano em ebulição, o Brasil tenha pouco espaço de manobra.




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