Temporada marinha no litoral fluminense: baleias e pinguins reaparecem e alertam para preservação
- Marcus Modesto
- 14 de jul. de 2025
- 3 min de leitura
ÚO litoral da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, já começa a registrar os primeiros avistamentos da temporada de fauna marinha. No fim de semana, uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) foi flagrada por um drone brincando nas águas de Armação de Búzios, arrancando suspiros de moradores e turistas. Nas duas primeiras semanas de julho, três pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) foram resgatados em Arraial do Cabo, debilitados após encalhe nas praias.
Os resgates foram feitos por equipes do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Campos (PMP-BC), executado pelo Instituto Albatroz, com apoio da Petrobras e fiscalização do Ibama. A temporada de migração desses pinguins ocorre entre junho e setembro, quando partem da Patagônia, no extremo sul do continente, em busca de águas mais quentes e alimento.
Pinguins em perigo: como ajudar?
Segundo a médica-veterinária Daphne Goldberg, do Instituto Albatroz, muitos desses animais chegam às praias fracos, hipotérmicos e desorientados. A orientação é clara:
“Não coloque os pinguins em água ou gelo. Eles já estão sofrendo com o frio. E nunca tente tirar fotos manipulando os animais — isso só aumenta o estresse e pode piorar ferimentos ocultos”, alerta.
Ao avistar um pinguim, tartaruga ou qualquer outro animal marinho, vivo ou morto, a recomendação é acionar imediatamente o PMP-BC pelo telefone 0800 991 4800.
Monitoramento e conservação
O Brasil mantém o maior programa de monitoramento de praias do mundo, com atuação ao longo de centenas de quilômetros da costa. O trabalho abrange resgates, reabilitação e devolução à natureza de animais marinhos, além de coleta de dados sobre mortalidade e impactos ambientais — fundamentais para os Planos de Ação Nacionais para Espécies Ameaçadas, coordenados pelo ICMBio.
O pinguim-de-magalhães, ao contrário de espécies como o pinguim-imperador, não vive no gelo. Habita regiões costeiras temperadas da América do Sul, se alimenta de pequenos peixes e lulas, e costuma viver entre 5 e 10 anos.
O retorno das jubartes: história de sucesso ambiental
A presença das baleias-jubarte na costa brasileira é também símbolo de uma das maiores histórias de conservação do país. Na década de 1980, estima-se que restavam apenas 300 a 500 indivíduos da espécie em território nacional, após anos de caça predatória. O quadro começou a mudar com o surgimento do Projeto Baleia Jubarte, que passou a estudar, proteger e propor políticas públicas para a recuperação da população.
Hoje, o número estimado é de cerca de 30 mil jubartes na população reprodutiva brasileira — um crescimento exponencial que levou o Ministério do Meio Ambiente, em 2014, a retirar a espécie da Lista Vermelha de Extinção.
Mais baleias vivas, mais encalhes
A aparição ocasional de baleias mortas na costa pode parecer negativa, mas também reflete a recuperação da espécie.
“É um efeito colateral natural. Baleias envelhecem, adoecem, enfrentam escassez de alimento e morrem. Onde há mais baleias vivas, haverá inevitavelmente mais encalhes”, explica o consultor ambiental José Truda Palazzo Júnior.
Na natureza, nada se perde. Uma baleia morta fornece alimento para dezenas de espécies, seja em alto-mar, nas praias ou no fundo oceânico. A chamada “queda de baleia” — quando o corpo afunda até as grandes profundezas — é considerada um evento raro e valioso para os ecossistemas marinhos, sustentando comunidades que vivem em permanente escassez de nutrientes.




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