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Terra acelera e terá o dia mais curto do ano nesta quarta-feira: o que isso revela sobre o nosso planeta

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 9 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Nesta quarta-feira, 9 de julho, a Terra irá completar uma rotação ligeiramente mais rápida do que o habitual. Com 1,30 milissegundo a menos que as tradicionais 24 horas, este será o dia mais curto de 2025 até agora — e embora imperceptível no cotidiano, a aceleração chama atenção da comunidade científica por refletir um fenômeno natural e intrigante: a instabilidade do relógio do planeta.


Desde que relógios atômicos passaram a registrar com altíssima precisão a rotação da Terra, cientistas observam que o tempo de um dia raramente é exatamente o mesmo. E, embora este tipo de variação seja comum, nos últimos anos, os registros de dias mais curtos têm se tornado mais frequentes — algo que pode ter implicações sobre a forma como medimos o tempo.


Pequenas variações, grandes perguntas


A diferença de pouco mais de um milissegundo não altera o funcionamento do dia a dia. Para se ter ideia, um piscar de olhos dura cerca de 300 milissegundos — mais de 200 vezes esse encurtamento. Mas, no universo da física e da astronomia, esse detalhe importa.


De acordo com especialistas, diversos fatores podem influenciar a velocidade da rotação terrestre, como a movimentação do núcleo da Terra, a redistribuição de massas oceânicas e até eventos climáticos extremos. Cada um desses elementos pode alterar levemente o “giro” do planeta.


“Apesar da média ser 24 horas, a Terra não gira como um relógio suíço. Ela oscila. E é exatamente isso que nos permite estudar com mais profundidade a estrutura interna e os efeitos dinâmicos do planeta”, explica Fernando Roig, diretor do Observatório Nacional.


Outros dias “acelerados” ainda estão por vir


Segundo o observatório europeu Copernicus, outros dois dias com duração encurtada estão previstos para este ano: 22 de julho e 5 de agosto, com 1,38 e 1,51 milissegundo a menos, respectivamente. A expectativa é que esse padrão de flutuações continue a ocorrer de forma esporádica ao longo do século.


Essas mínimas acelerações, embora naturais, contrastam com a tendência de longo prazo: desde sua formação, a Terra vem desacelerando lentamente. Há bilhões de anos, um dia durava cerca de cinco horas. A presença da Lua, por exemplo, é um dos fatores que freiam a rotação.


Ajustando os relógios do mundo


Com o avanço da tecnologia, relógios atômicos — que são extremamente precisos — passaram a ser o padrão global de tempo. Porém, quando há descompasso entre a rotação real da Terra e esses relógios, surge a necessidade de correções.


É aí que entra o chamado segundo bissexto, uma espécie de “ponto de ajuste” no tempo oficial. Desde os anos 1970, 27 segundos extras já foram adicionados para compensar atrasos na rotação. Mas, agora, os cientistas consideram um cenário inédito: a retirada de um segundo — o chamado segundo bissexto negativo.


“Se a Terra continuar a girar ligeiramente mais rápido, pode ser necessário, pela primeira vez, tirar um segundo dos nossos relógios para manter a sincronização”, explicou Jones, pesquisador envolvido nas medições.


Quando o tempo vira notícia


No fundo, o que está acontecendo é mais uma prova de que o planeta em que vivemos é um organismo dinâmico — e ainda pouco compreendido. Flutuações no tempo de rotação não são motivo de preocupação, mas sim de curiosidade e de estudo.


A Terra segue girando. Nem sempre no mesmo ritmo. E, se os milissegundos não mudam o nosso relógio biológico, certamente movem os ponteiros da ciência.


 
 
 

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