Toffoli divulga nova nota e detalha participação de empresa familiar em resort no Paraná
- Marcus Modesto
- 12 de fev.
- 2 min de leitura
O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta quinta-feira (12) uma nova nota pública para esclarecer a participação de uma empresa ligada à sua família na venda de cotas do resort Tayaya, localizado em Ribeirão Claro (PR). A negociação envolveu fundos associados ao banco Master, instituição que é alvo de investigação no Supremo.
Toffoli é relator do inquérito que apura supostas fraudes financeiras envolvendo o banco Master, especialmente no contexto de uma tentativa de venda da instituição ao BRB, banco cujo principal acionista é o governo do Distrito Federal. A operação acabou sendo barrada pelo Banco Central.
O posicionamento do ministro ocorre após a Polícia Federal encaminhar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, relatório mencionando o nome de Toffoli em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master e principal investigado. Diante do documento, Fachin solicitou que o relator se manifestasse.
Na nota divulgada nesta quinta-feira, o gabinete informa que Toffoli é sócio da empresa familiar Maridt, que reúne irmãos e outros parentes. O texto ressalta que, conforme a Lei Orgânica da Magistratura, magistrados podem integrar o quadro societário de empresas e receber dividendos, desde que não exerçam funções de administração ou gestão.
Segundo o esclarecimento, a participação da Maridt no resort Tayaya foi alienada em duas etapas: a primeira parte em 27 de setembro de 2021, para o fundo Arllen; e a segunda em 21 de fevereiro de 2025, para a PHD Holding. O gabinete afirma que todas as operações foram devidamente declaradas à Receita Federal.
A nota também destaca que o inquérito envolvendo o banco Master foi distribuído ao gabinete de Toffoli em novembro do ano passado, período em que, segundo a versão apresentada, a empresa familiar já não mantinha participação no empreendimento.
O ministro afirma ainda que não possui relação de amizade com Daniel Vorcaro e nega ter recebido qualquer valor do empresário ou de seu cunhado, Fabiano Zettel.
O relatório da Polícia Federal que levantou a hipótese de possível suspeição foi entregue a Fachin em 9 de fevereiro. Em manifestação anterior, divulgada na quarta-feira (11), o gabinete de Toffoli classificou eventual pedido de suspeição como baseado em “ilações” e sustentou que a PF não tem legitimidade para requerer o afastamento de magistrados.
O conteúdo do relatório, que veio a público pela imprensa, cita conversas entre Vorcaro e seu cunhado, Fábio Zettel, nas quais o nome de Toffoli aparece em diálogos relacionados ao resort Tayaya.
Desde dezembro, o ministro tem sido alvo de questionamentos sobre sua atuação no caso, após a divulgação de uma viagem realizada em um jatinho particular na companhia de um advogado ligado a um dos investigados. Posteriormente, decisões tomadas no âmbito do inquérito — como a determinação para que provas de uma das fases da Operação Compliance Zero fossem enviadas diretamente ao Supremo antes de perícia da PF — ampliaram o debate público sobre a condução do processo. O ministro acabou revendo parte dessa decisão, embora tenha mantido posicionamentos sobre a escolha de peritos.
Com a revelação do negócio envolvendo a venda da participação no resort a fundos associados ao investigado, a pressão em torno da relatoria ganhou novos capítulos, agora acompanhados de explicações formais apresentadas ao Supremo.




Comentários