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Transferência de R$ 700 milhões para offshore levanta suspeitas em negociação envolvendo o Banco Master

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 11 de mar.
  • 3 min de leitura

O banqueiro Daniel Vorcaro transferiu ao menos R$ 700 milhões em ativos do Banco Master para uma holding sediada no exterior enquanto negociava a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). As movimentações ocorreram entre janeiro e julho de 2025 e foram identificadas em um alerta emitido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).


Segundo o relatório, os recursos foram direcionados para uma empresa registrada nas Ilhas Cayman, território conhecido por regras fiscais flexíveis e ausência de imposto corporativo. A unidade de inteligência financeira apontou indícios de irregularidade ao considerar que os valores movimentados seriam incompatíveis com o patrimônio declarado da offshore.


Na semana passada, o Banco Central do Brasil determinou a indisponibilidade de bens da empresa no exterior, identificada como uma das controladoras do Banco Master.


Movimentações financeiras sob análise


De acordo com os dados analisados pelo Coaf, a empresa inicialmente chamada Master Holding, posteriormente rebatizada de Titan Holding, tem Vorcaro como acionista. A estrutura funcionava como uma holding patrimonial destinada a concentrar ativos pessoais do banqueiro, incluindo imóveis de alto padrão, aeronaves e veículos.


A defesa de Vorcaro foi procurada, mas informou que não comentaria o caso.


As primeiras transferências ocorreram em janeiro de 2025, quando houve a cessão de cotas do fundo de investimento Quíron, no valor aproximado de R$ 85 milhões. No mês seguinte, o Banco Master repassou participações no fundo Saint German, avaliadas em cerca de R$ 66 milhões.


Operações por fundos de investimento


As investigações indicam que grande parte das aplicações do banco era realizada por intermédio de fundos de investimento. Em abril de 2025 ocorreu a maior operação do período: a transferência de cotas do fundo GSR para o fundo Krispy, totalizando aproximadamente R$ 555 milhões.


Segundo o Coaf, a holding registrada nas Ilhas Cayman aparece como cotista do fundo Krispy, fator que reforçou as suspeitas levantadas pelo órgão de controle.


O relatório aponta ainda que, em julho de 2025, a holding realizou um novo aporte de R$ 314 milhões no fundo Tessália.


Fundos têm ligação com empresa de saúde


Registros na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que os fundos Quíron e Tessália possuem participação societária na Oncoclínicas. Em novembro do ano passado, as ações da empresa de saúde chegaram a cair cerca de 13% após a revelação de que mantinha R$ 433 milhões em CDBs emitidos pelo Banco Master.


Outros fundos transferidos para a holding offshore também tinham em carteira precatórios ligados a disputas judiciais envolvendo usinas e empresas de saúde contra o poder público.


Negociação com o BRB entrou na mira das investigações


O fortalecimento da holding no exterior ocorreu paralelamente às negociações entre o Banco Master e o BRB para uma possível aquisição da instituição privada pelo banco estatal do Distrito Federal.


A Polícia Federal também investiga suspeitas de que Vorcaro teria tentado repassar cartas de crédito consideradas fraudulentas ao BRB. A operação acabou cancelada após a identificação de que os ativos não tinham expectativa real de pagamento, o que poderia gerar prejuízo bilionário ao banco público.


Além disso, fundos ligados ao Banco Master teriam participado de uma operação de aumento de capital do BRB entre o fim de 2024 e fevereiro de 2025, adquirindo ações da instituição. A suspeita é que a estratégia buscava inflar artificialmente o tamanho do banco para facilitar a aprovação da compra pelo Banco Central.


Banco Central bloqueia bens de empresa ligada ao controle


Depoimentos colhidos pela Polícia Federal e documentos apreendidos indicam que, durante as negociações, Vorcaro organizava uma série de ativos para apresentá-los ao BRB como parte da operação de venda.


Mesmo após o anúncio da possível negociação em março de 2025, o Banco Central acabou rejeitando a operação em setembro do mesmo ano.


No último dia 5 de março, a autoridade monetária notificou a indisponibilidade de bens da Titan Capital Holding, atual nome da antiga Master Holding. Segundo o Banco Central, a medida foi adotada devido à participação indireta da offshore no controle do Banco Master, identificada nos registros de composição societária analisados pelo órgão regulador.


Pela legislação brasileira, quando uma instituição financeira entra em processo de liquidação, administradores e controladores têm seus bens bloqueados até a conclusão das investigações, incluindo aqueles que exerceram controle direto ou indireto nos 12 meses anteriores ao processo.



 
 
 

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