Trump deve anunciar novo presidente do Fed e nome de Kevin Warsh agita os mercados
- Marcus Modesto
- 30 de jan.
- 3 min de leitura
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que anunciará nesta sexta-feira (30) o novo presidente do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano. De acordo com informações de bastidores divulgadas pela Bloomberg e pela Reuters, o nome mais cotado para assumir o comando da autoridade monetária é o de Kevin Warsh, ex-governador do Fed.
“Anunciarei o presidente do Fed amanhã de manhã”, declarou Trump a jornalistas na quinta-feira (29). O presidente indicou ainda que a escolha não deverá surpreender investidores. Segundo ele, trata-se de um nome conhecido e respeitado no mercado financeiro internacional.
Fontes ouvidas pela Reuters relataram que Warsh esteve reunido com Trump na Casa Branca na quinta-feira e teria causado boa impressão ao presidente. Apesar disso, o anúncio oficial é o único elemento que ainda falta para confirmar a indicação.
Mercados reagem antes mesmo do anúncio
A simples possibilidade de Kevin Warsh assumir a presidência do Fed provocou reações imediatas nos mercados globais. O índice MSCI de ações da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, caiu até 1,3%, registrando a maior perda diária do último mês.
Em Hong Kong, o índice de empresas chinesas recuou 2,1%. No Japão, o Nikkei 225 fechou em queda de 0,1%. Nos Estados Unidos, os contratos futuros do S&P 500 caíram 0,4%, enquanto os do Nasdaq recuaram 0,5%.
O dólar também reagiu, avançando 0,3% e alcançando 96,481 pontos, revertendo parte do enfraquecimento recente. Já o rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos subiu para 4,265%.
No mercado de apostas, o movimento foi ainda mais expressivo. Na plataforma Polymarket, a probabilidade de Warsh ser escolhido saltou de 35% para 92% em poucas horas. Outras plataformas, como a Kalshi, também passaram a indicar chances superiores a 80%.
Perfil de Warsh e impactos esperados
Kevin Warsh é visto como defensor de uma política de juros mais baixos, posição que dialoga com as críticas recorrentes de Trump à atual condução da política monetária. Analistas, no entanto, avaliam que ele representa uma alternativa mais moderada em comparação com outros nomes considerados pelo presidente.
Entre suas posições conhecidas está a defesa de um balanço patrimonial mais enxuto para o Fed, o que sugere maior cautela em relação ao uso de estímulos monetários agressivos. Essa postura gera leituras distintas no mercado, especialmente em um momento de elevada volatilidade.
No mesmo período, ativos considerados sensíveis ao cenário macroeconômico registraram perdas: o ouro caiu 3,7%, a prata recuou 6%, o petróleo Brent teve baixa de 1,4% e o Bitcoin perdeu 2,7%.
Disputa política e pressão sobre o banco central
A iminente mudança no comando do Fed ocorre em meio a uma relação marcada por conflitos entre Trump e a atual diretoria da instituição. Mesmo após três cortes de juros em 2025, o Fed manteve a taxa básica entre 3,50% e 3,75% na última reunião, decisão que voltou a ser criticada pelo presidente.
Trump intensificou os ataques ao atual presidente do Fed, Jerome Powell, a quem acusa de manter juros elevados sem justificativa. O republicano defende que as taxas sejam de dois a três pontos percentuais menores, apesar do crescimento anualizado de 4,4% da economia americana no terceiro trimestre.
Embora Powell tenha mandato até 2028 como membro do Conselho de Governadores, a Casa Branca tem buscado ampliar sua influência sobre o banco central. Paralelamente, o governo abriu uma investigação criminal relacionada a gastos com reformas na sede do Fed, medida classificada pelo próprio Powell como tentativa de pressão política.




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