Trump e Zelensky avançam em proposta de paz enquanto guerra na Ucrânia segue sob forte pressão militar
- Marcus Modesto
- 28 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu neste domingo, em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para discutir uma nova iniciativa diplomática que busca encerrar o conflito com a Rússia, em guerra há quase quatro anos. O encontro ocorreu em meio a uma escalada recente de ataques russos e a sinais contraditórios de abertura ao diálogo por parte de Moscou.
Antes da reunião reservada, Zelensky afirmou que o plano negociado com Washington já alcançou consenso em grande parte de seus pontos. Trump, por sua vez, disse acreditar que um acordo pode ser fechado em breve e confirmou que seguirá conversando diretamente com o presidente russo, Vladimir Putin.
A proposta em debate reúne cerca de 20 tópicos e foi elaborada após semanas de tratativas entre autoridades americanas e ucranianas. O texto aborda medidas de segurança para evitar novas ofensivas, além de temas sensíveis como o futuro do Donbas e a situação de instalações estratégicas, incluindo uma usina nuclear sob controle russo. O governo da Rússia ainda não se manifestou oficialmente sobre o plano.
Durante a recepção a Zelensky, Trump classificou a guerra como o maior desafio diplomático de sua carreira política e afirmou que seu objetivo é pôr fim às mortes o mais rápido possível. Segundo ele, o diálogo permanece aberto, mesmo sem um prazo definido para a conclusão das negociações.
O encontro marcou a retomada do contato presencial entre os dois líderes após meses de distanciamento. A última reunião havia ocorrido em outubro, quando Trump rejeitou um pedido de Kiev para o fornecimento de mísseis de longo alcance. Desde então, a Ucrânia vinha pressionando por maior envolvimento direto dos Estados Unidos na mediação.
Horas antes da conversa em Mar-a-Lago, Trump revelou ter falado por telefone com Putin, descrevendo o contato como produtivo. Ainda assim, autoridades ucranianas demonstram cautela. Zelensky afirmou que os recentes ataques russos contra áreas civis reforçam a percepção de que Moscou pode estar usando a diplomacia como estratégia de atraso.
Analistas avaliam que o Kremlin, respaldado por avanços graduais no campo de batalha, tende a manter exigências duras, incluindo concessões territoriais e limitações às forças armadas ucranianas. No fim de semana, a Rússia anunciou a tomada de novas localidades no leste do país, aumentando a pressão militar.
O governo russo, por sua vez, acusa Kiev e países europeus de sabotarem tentativas anteriores de cessar-fogo. O ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, rejeitou a possibilidade de envio de tropas europeias de paz à Ucrânia e afirmou que qualquer presença militar da União Europeia seria considerada um alvo legítimo.
Enquanto isso, líderes europeus reforçaram apoio político e financeiro à Ucrânia. Em reunião virtual com Zelensky, representantes da União Europeia garantiram a manutenção da ajuda e a continuidade da pressão diplomática sobre Moscou. O Canadá também anunciou novos recursos para a reconstrução ucraniana após o conflito.
Entre os pontos mais delicados do plano está a criação de zonas desmilitarizadas ao longo das atuais linhas de frente, o que implicaria retiradas de tropas e possíveis concessões territoriais. Zelensky sinalizou disposição para discutir o tema, desde que haja reciprocidade por parte da Rússia e garantias de segurança imediatas.
O presidente ucraniano destacou que essas garantias são essenciais para evitar uma nova ofensiva após um eventual acordo. Ele também se mostrou aberto à realização de eleições nacionais, desde que o país tenha condições mínimas de segurança, uma demanda defendida por Moscou e apoiada por Trump.
Mesmo com as negociações em andamento, os combates continuam. Ataques recentes com drones e mísseis deixaram milhares de moradores de Kiev sem energia elétrica em meio ao inverno rigoroso. Autoridades locais informaram que o fornecimento foi restabelecido, enquanto outras regiões do país seguem registrando novos danos à infraestrutura.




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