Trump intensifica guerra comercial com ameaça ao Brics e acirra isolamento dos EUA
- Marcus Modesto
- 7 de jul. de 2025
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Num gesto que expõe o aprofundamento do isolacionismo norte-americano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (6) a imposição de uma tarifa extra de 10% a todos os países que, segundo sua interpretação, se alinharem às “políticas antiamericanas” do Brics. A decisão, anunciada em tom autoritário pela rede Truth Social, não apenas sinaliza uma nova rodada de tensões no comércio global, mas escancara a tentativa de Trump de transformar política externa em palanque eleitoral — às custas da diplomacia e da cooperação internacional.
“Qualquer país que se alinhe com as políticas antiamericanas do Brics será cobrado com uma tarifa adicional de 10%. Não haverá exceções”, escreveu Trump, numa mensagem que mais parece ameaça do que política pública. O Brics, que acaba de ser ampliado para 11 países e representa quase metade da população mundial, tem discutido justamente o fim da hegemonia do dólar e alternativas ao sistema financeiro dominado por Washington — o que parece ter incomodado diretamente a Casa Branca.
A retaliação anunciada por Trump, com início previsto para 1º de agosto, revela não apenas o avanço de uma agenda protecionista, mas uma tentativa mal disfarçada de conter o avanço geopolítico de potências emergentes. Ao transformar um bloco multilateral em alvo de sanção, os EUA optam por hostilizar nações que representam 40% do PIB global, numa estratégia que ameaça isolar ainda mais o país de seus parceiros estratégicos.
O secretário de Comércio, Howard Lutnick, confirmou que cartas notificando os países já foram enviadas, enquanto o governo tenta negociar acordos bilaterais às pressas — um modelo que, na prática, fragiliza o multilateralismo e reforça a lógica de submissão imposta por Washington. Até agora, apenas Reino Unido e Vietnã assinaram acordos, o que mostra a dificuldade da Casa Branca em convencer aliados históricos a se curvarem às novas diretrizes.
Nos bastidores da cúpula do Brics, que acontece no Rio de Janeiro, a decisão de Trump foi recebida como mais um ato unilateral que mina o diálogo internacional. Os países do bloco manifestaram preocupação com o avanço de medidas protecionistas — sem citar diretamente o governo norte-americano, mas numa clara alusão à escalada tarifária imposta por Washington nos últimos anos.
Mais do que uma política econômica, a nova tarifa anunciada por Trump parece parte de sua estratégia eleitoral, em que o confronto substitui a diplomacia e o isolacionismo vira ferramenta de campanha. Ao tentar punir países por sua orientação política, Trump reafirma uma visão de mundo onde acordos são feitos à base de pressão, não de respeito mútuo.
Com isso, os EUA arriscam não apenas perder influência, mas também fomentar uma nova ordem mundial cada vez mais distante de Washington — e cada vez mais liderada por aqueles que Trump tenta intimidar.




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