TSE suspende divulgação de pesquisa sobre Flávio Bolsonaro após questionamentos do PL
- Marcus Modesto
- 8 de jun.
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo instituto AtlasIntel que apontava redução nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi proferida pelo ministro Kassio Nunes Marques e divulgada nesta segunda-feira (8).
A medida atende a um pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL), que contestou aspectos da metodologia utilizada no levantamento. Com a decisão cautelar, os resultados da pesquisa deverão permanecer indisponíveis nos canais oficiais do instituto até que o plenário da Corte analise o caso. O julgamento está previsto para ocorrer nesta terça-feira (9).
Partido aponta possível indução de respostas
Na ação protocolada no TSE, o PL argumentou que a estrutura do questionário poderia ter influenciado os entrevistados. Segundo a legenda, entre as 49 perguntas aplicadas, oito tratavam diretamente de assuntos ligados ao Banco Master e foram apresentadas em sequência, o que, na avaliação do partido, poderia criar uma percepção negativa sobre o senador antes da aferição das intenções de voto.
O partido também sustentou que a pesquisa abordava uma sequência de temas específicos, incluindo o cenário eleitoral, comparações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, denúncias de fraudes financeiras, referências ao Banco Master, ao empresário Daniel Vorcaro, além de conversas vazadas e seus possíveis reflexos eleitorais.
Utilização de áudio também entrou na contestação
Outro ponto levantado pelo PL foi a utilização de um arquivo de áudio durante a aplicação do questionário. A legenda alegou que não houve comprovação suficiente sobre a autenticidade do material apresentado aos participantes, o que poderia comprometer a confiabilidade dos resultados.
Ao conceder a liminar, Nunes Marques avaliou que os argumentos apresentados justificam a interrupção temporária da divulgação até uma análise mais aprofundada do caso. Na decisão, o ministro destacou que pesquisas eleitorais devem ter caráter informativo e não podem ser estruturadas de forma a influenciar a percepção dos entrevistados.
Para o magistrado, existe a possibilidade de que a metodologia empregada tenha ultrapassado os limites de uma simples medição da opinião pública, transformando-se em um instrumento capaz de produzir narrativas políticas a partir de estímulos prévios direcionados aos entrevistados.
Caso será analisado pelos demais ministros
A decisão é individual e ainda precisará ser submetida ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral. Os ministros poderão confirmar ou revogar a suspensão da divulgação dos resultados.
A pesquisa contestada ouviu 5.032 eleitores em diferentes regiões do país entre os dias 13 e 18 de maio. De acordo com a AtlasIntel, o levantamento possui margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
O desfecho do caso dependerá da avaliação colegiada da Corte, que decidirá se a pesquisa poderá voltar a ser divulgada ou se permanecerá suspensa até nova deliberação.




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