Turismo em Paraty: boas intenções, discursos repetidos e pouca ação concreta
- Marcus Modesto
- 13 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Mais uma reunião, mais uma foto oficial, mais um discurso otimista. A Prefeitura de Paraty anunciou, com entusiasmo, o encontro entre o prefeito Zezé, a Secretaria de Planejamento e o Paraty Convention & Visitors Bureau (CVB), realizado na última quarta-feira. A pauta? Promover o diálogo com o trade turístico e debater o futuro do setor. Mas, fora o discurso, o que realmente saiu do papel?
Entre as propostas, está o projeto “Jornadas Educacionais do Paraty CVB”, que prevê visitas de alunos da rede pública às empresas associadas ao setor turístico. A iniciativa, embora bem-intencionada, ainda carece de planejamento concreto, metas claras e previsão orçamentária. Até o momento, soa mais como promessa de vitrine do que como política pública de fato.
Outra ideia apresentada foi a criação de uma parceria internacional com Mendoza, na Argentina. A proposta, apesar de parecer interessante no papel, levanta dúvidas quanto à sua viabilidade prática. Em uma cidade que ainda luta com gargalos estruturais — como saneamento precário, transporte público deficitário e carência de formação profissional para o turismo —, a cooperação com uma cidade estrangeira pode ser mais um gesto simbólico do que uma medida de impacto real para a população local.
O vereador Eric Porto, presente no encontro, reforçou o compromisso do Legislativo com o turismo sustentável e a geração de renda. No entanto, é preciso lembrar que compromissos sem fiscalização, metas mensuráveis e cronogramas se perdem no tempo — assim como tantos outros planos já anunciados e engavetados em Paraty.
O que se viu foi mais uma reunião de gabinete com tom institucional, mas sem a participação efetiva da sociedade civil, sem a presença dos trabalhadores do turismo e sem ouvir quem vive da atividade no dia a dia. Um “diálogo com o trade” que, muitas vezes, se limita a ouvir representantes de entidades empresariais, sem alcançar guias, artesãos, pescadores e pequenos empreendedores que sustentam o turismo local com esforço diário.
Paraty precisa, sim, de iniciativas que integrem educação e mercado de trabalho, que ampliem horizontes para os jovens e que profissionalizem o setor. Mas precisa, antes de tudo, sair do discurso para a prática. A cidade não pode continuar refém de promessas fotogênicas que não enfrentam os reais desafios de infraestrutura, qualificação e inclusão no turismo.
Enquanto a gestão municipal se dedica a reuniões e anúncios, a população aguarda por ações concretas — não apenas planos, mas resultados. Porque o futuro do turismo em Paraty depende menos de intenções e mais de execução.




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