União Europeia suspende tarifas sobre produtos dos EUA por 90 dias e busca negociação com Washington
- Marcus Modesto
- 10 de abr. de 2025
- 2 min de leitura
A União Europeia (UE) anunciou nesta quinta-feira (10) a suspensão, por um período de 90 dias, da aplicação de tarifas sobre € 21 bilhões (cerca de US$ 23,2 bilhões) em produtos originários dos Estados Unidos. A medida, que seria uma retaliação às taxas de 25% impostas pelo presidente Donald Trump sobre o aço e alumínio europeus, foi temporariamente adiada com o objetivo de abrir espaço para negociações diplomáticas com Washington.
A decisão foi confirmada pela Comissão Europeia, que afirmou estar disposta a dialogar antes de adotar sanções mais duras. “Queremos criar margem para um possível entendimento, mas estamos preparados para aplicar contramedidas caso não haja progresso”, declarou um porta-voz do bloco.
Na véspera, a maioria dos 27 países-membros da UE votou a favor da implementação das sanções. Algumas dessas tarifas estavam programadas para entrar em vigor ainda este mês e miravam setores politicamente sensíveis dos Estados Unidos, como a soja produzida na Louisiana — estado do presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson —, além de carnes, itens agrícolas, diamantes e motocicletas.
As tarifas fazem parte da política econômica protecionista adotada por Donald Trump, que tem criticado publicamente a União Europeia, alegando que o bloco impõe práticas desleais no comércio bilateral. Desde o mês passado, já estão em vigor tarifas de 25% sobre automóveis europeus e um adicional de 20% sobre outros produtos importados da UE, impactando um total estimado de US$ 380 bilhões em exportações para o mercado norte-americano.
Apesar das acusações de Trump sobre um suposto desequilíbrio na balança comercial, dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) mostram que a tarifa média aplicada pela União Europeia a produtos dos Estados Unidos foi de apenas 2,7% em 2023 — índice que não sustenta a tese de protecionismo europeu extremo.
Caso não haja avanços nas negociações durante os próximos três meses, a UE afirma que retomará seu plano de retaliar com tarifas direcionadas a setores estratégicos da economia americana, mantendo a pressão por um acordo comercial mais equilibrado.




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