Vacinação antirrábica em Resende: prevenção essencial em meio à fragilidade no controle de zoonoses
- Marcus Modesto
- 13 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
A Prefeitura de Resende realiza neste sábado (14) mais uma etapa da campanha de vacinação antirrábica. A ação, que vai das 9h às 15h — com exceção do posto no bairro Monte Castelo (AMAN), que segue até às 16h — tem como objetivo imunizar cães e gatos contra a raiva, doença letal e de risco à saúde pública. Os postos estarão distribuídos entre bairros como Vargem Grande, Vila da Fumaça e Monte Castelo, além de unidades volantes em áreas mais afastadas, como Bagagem, Jacuba e Rio Preto.
Apesar da importância da campanha, a iniciativa expõe um problema recorrente na gestão da saúde animal e do controle de zoonoses no município: a falta de políticas permanentes e estruturadas de proteção aos animais. A vacinação acontece de forma pontual, e a ausência de um calendário público transparente, com ações contínuas de castração, educação e fiscalização, reforça o caráter emergencial do combate à raiva.
O secretário de Saúde, Dr. Ricardo Graciosa, reforçou que a vacinação é “um ato de responsabilidade e cuidado com a saúde pública”. Mas, para além do discurso, faltam dados públicos atualizados sobre o índice de vacinação na cidade, a cobertura territorial das campanhas anteriores e a taxa de abandono de animais, que segue visível nas ruas de Resende.
A obrigatoriedade da presença de tutores maiores de idade, o transporte adequado dos animais e a limitação dos pontos de vacinação levantam ainda outro questionamento: como garantir que a população mais vulnerável, sobretudo em áreas rurais e periféricas, tenha acesso fácil à imunização? A descentralização da campanha é positiva, mas a falta de uma estratégia de divulgação eficaz e de mobilização comunitária pode comprometer o alcance da meta vacinal.
Garantir a saúde pública passa necessariamente pela valorização de campanhas como essa, mas também pela criação de políticas públicas contínuas que enfrentem de forma estruturada o abandono de animais, o crescimento populacional descontrolado de cães e gatos e a negligência com zoonoses que seguem sendo uma ameaça silenciosa.
Sem isso, campanhas pontuais correm o risco de serem apenas paliativos — bem-intencionados, mas insuficientes diante da complexidade do problema..




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