Valdemar Costa Neto aposta em Donald Trump como “salvação” de Bolsonaro e ataca Judiciário
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (25) que vê no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “a única saída” para impedir a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro no julgamento da trama golpista em análise no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi dada em São Paulo, durante painel organizado pelo grupo Esfera Brasil, e expõe a estratégia de parte da oposição de internacionalizar o embate judicial brasileiro.
Na mesa, dividida com líderes de PSD, MDB, União-PP e Podemos, Valdemar acusou o Judiciário de estar alinhado contra Bolsonaro e disse que apenas uma vitória de Trump poderia reverter o cenário. “O Trump é a única saída que temos (…) todos estão apoiando Alexandre de Moraes”, afirmou.
Eduardo Bolsonaro e a ofensiva em Washington
O dirigente também comentou o papel do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que, desde março, permanece nos Estados Unidos buscando apoio de parlamentares e lideranças religiosas. Para Valdemar, a atuação do filho do ex-presidente ocorre de maneira independente, mas “ajuda” na defesa do pai diante do STF.
Ainda que Bolsonaro esteja inelegível até 2030, Valdemar reafirmou a aposta do PL em sua candidatura presidencial em 2026. O presidente da legenda chegou a acenar para manobras jurídicas, como pedidos de vista, que na sua avaliação poderiam atrasar ou até mudar o rumo do julgamento.
Um discurso que fragiliza a política brasileira
As falas de Valdemar ocorrem em um contexto de crescente tensão diplomática. No fim de julho, os Estados Unidos aplicaram sanções do regime Global Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, medida anunciada pelo Tesouro e pelo Departamento de Estado. O episódio é explorado por aliados de Bolsonaro como argumento de pressão internacional, embora exponha ainda mais o país a constrangimentos externos.
Ao transformar Trump em “salvação” e reduzir o papel das instituições brasileiras, Valdemar reitera a incapacidade da oposição em articular um projeto próprio de futuro. Em vez de disputar politicamente com propostas, aposta em atalhos e interferências estrangeiras — um movimento que fragiliza a imagem da democracia nacional e reforça a dependência de figuras externas para resolver crises internas.




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