Vendaval vira propaganda política para promover Furlani e Barra Mansa
- Marcus Modesto
- há 1 hora
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Em meio a um cenário de alerta meteorológico e preocupação da população, uma peça de divulgação que circula nas redes sociais decidiu transformar o vendaval em cenário para exaltar a imagem do prefeito Luiz Furlani. A montagem, com estética de filme de ação, coloca o chefe do Executivo no centro de uma tempestade, com a frase “Furlani — protegendo Barra Mansa” e o slogan “Nem o vento derruba quem trabalha pela nossa cidade!”.
A pergunta que precisa ser feita é simples: qual é a prioridade da comunicação pública em uma situação de emergência — informar a população ou transformar o prefeito em protagonista?
A imagem chama atenção justamente porque a força do fenômeno climático praticamente desaparece diante da construção da imagem pessoal do prefeito. O vendaval, que deveria ser tratado como um problema que exige prevenção, informação e resposta rápida do poder público, passa a funcionar como pano de fundo para uma narrativa de exaltação política.
Não há problema em a Prefeitura divulgar o trabalho das equipes municipais. Pelo contrário. A população tem o direito de saber quantos servidores foram mobilizados, quais bairros foram afetados, onde existem pontos de risco, quais vias estão interditadas, onde buscar abrigo e quais medidas estão sendo adotadas para minimizar os impactos.
O problema começa quando a comunicação institucional parece se confundir com promoção da figura do governante.
A montagem chega a apresentar Furlani praticamente como um personagem de superprodução cinematográfica, enquanto a cidade aparece sob uma tempestade apocalíptica. É uma linguagem muito mais próxima de uma campanha de marketing político do que de um comunicado emergencial.
E isso merece reflexão.
Desastre climático não é palanque. Vendaval não é peça publicitária. Emergência não deveria servir de oportunidade para fabricar heróis políticos.
O cidadão que enfrenta falta de energia, queda de árvores, alagamentos, danos em imóveis ou dificuldades para circular pela cidade não precisa de uma imagem cinematográfica do prefeito. Precisa de informação objetiva e de um poder público preparado para agir.
Também chama atenção o uso da identidade institucional da Prefeitura associado diretamente ao nome e à imagem do prefeito. Em uma democracia, a máquina pública pertence à população, não ao governante de plantão. Por isso, toda comunicação institucional precisa ser tratada com responsabilidade, especialmente quando envolve recursos, estrutura e canais oficiais do município.
A propaganda pode até render curtidas e compartilhamentos. Pode até agradar aos aliados políticos. Mas também pode produzir exatamente o efeito contrário: a sensação de que uma situação séria está sendo utilizada para construir uma narrativa eleitoral ou de promoção pessoal.
Enquanto a montagem pergunta quem pode “derrubar” Furlani, a população deveria estar perguntando outra coisa: quem vai garantir que Barra Mansa esteja realmente preparada para o próximo vendaval?
Porque tempestade passa. Propaganda também. O que permanece são os problemas da cidade — e a cobrança da população por prevenção, estrutura, transparência e resultados.
Foto Divulgação
