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“Vereador nas horas vagas”: o retrato de uma política que virou negócio em Barra Mansa

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
3 de jun. de 2025
3 min de leitura

Brasil é o único país do mundo onde vereador de cidade pequena ganha salário fixo. E, ainda assim, tem vereador reclamando que não dá para viver só com R$ 11 mil por mês.


A declaração feita pelo vereador Eduardo Pimentel, durante uma sessão da Câmara de Barra Mansa no último dia 27 de maio, virou assunto — e revolta — nas ruas, nas redes e em rodas de conversa. Ao reclamar que não consegue se dedicar integralmente ao cargo de vereador porque tem outro emprego, e que o salário de R$ 11.395 mensais “não é maravilhoso”, o parlamentar não apenas provocou indignação, como também escancarou um problema que vai muito além dele: a forma como a política é tratada por quem deveria servir à população.


— “Não consigo ficar o dia inteiro à disposição, porque tenho outro trabalho. Só com a renda de vereador, que todo mundo acha que é maravilhosa e não é, eu não consigo me manter” — disse, sem constrangimento, diante de uma população que, em sua maioria, luta para sobreviver com um salário mínimo de R$ 1.518,00


O discurso veio à tona durante o anúncio da apresentação do Relatório Quadrimestral da Saúde, marcado para as 15h do dia seguinte. O vereador pediu que essas reuniões fossem agendadas em horários diferentes — pela manhã ou no fim da tarde — para que ele e outros colegas que “trabalham fora” pudessem comparecer.


O questionamento é inevitável: se não tem disponibilidade para cumprir a função pública para a qual foi eleito, por que quis ser vereador?


O Brasil é uma aberração no mundo


O problema não é isolado. O Brasil é, oficialmente, o único país do mundo onde vereadores de cidades pequenas recebem salário fixo. Em países desenvolvidos como Estados Unidos, França, Alemanha e Japão, a função de vereador em municípios menores é considerada serviço comunitário. Eles não recebem salário, mas uma ajuda de custo simbólica — e olhe lá. Porque ser vereador, lá, é uma missão, não uma profissão.


Aqui, a distorção é tamanha que vereadores não apenas recebem salários altíssimos, como também acumulam outros empregos, como se o cargo de legislador fosse um bico, um hobby bem pago, com sessões esporádicas, geralmente às segundas-feiras, e algumas reuniões pontuais.


Barra Mansa tem hoje uma das Câmaras mais caras proporcionalmente ao tamanho da cidade. São mais de R$ 11 mil mensais por vereador, fora verbas de gabinete, auxílio, diárias, carros oficiais e outras benesses que não aparecem no contracheque, mas saem do bolso do contribuinte.


O peso nas costas da população


Enquanto isso, a população sofre com o colapso na saúde, falta de remédios, buracos nas ruas, escolas sem estrutura, transporte deficiente e insegurança. E quem deveria fiscalizar, cobrar e propor soluções está, muitas vezes, preocupado em adequar a agenda política ao próprio trabalho particular.


O vereador não é obrigado a se candidatar. Se decide ocupar o cargo, precisa estar disposto a abrir mão de atividades paralelas para se dedicar exclusivamente à função pública. Afinal, ser vereador não é uma ocupação de meio período. É uma missão pública, financiada com dinheiro do povo.


Um problema estrutural


A fala do vereador Eduardo não revela apenas um problema individual, mas uma cultura política viciada, onde muitos entram na vida pública apenas pela estabilidade, pelo salário e pelos privilégios — e não pelo compromisso com a transformação da cidade.


Se a função de vereador não sustenta o estilo de vida desejado, a solução é simples: não se candidate. Deixe o espaço para quem está disposto a cumprir, de fato, o papel de representante da população.


O recado do povo


O cidadão de Barra Mansa precisa refletir com urgência sobre que tipo de representante quer na Câmara. Quer alguém que trata a função como um bico, ou quem entende que ser vereador é uma responsabilidade, não um complemento de renda?


O que não dá mais é para aceitar vereadores que, mesmo ganhando mais de R$ 11 mil por mês, reclamam do salário, trabalham quando podem e ainda se colocam no papel de vítimas.


O tempo da política de faz de conta precisa acabar.


O povo não é bobo. E está assistindo.vereadores de cidades peq, não

Se desejar, posso montar essa matéria especial em formato para site, jornal, PDF

Foto Reprodução



 
 
 

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