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Violência contra a mulher exige mais que números: Ceam avança, mas enfrenta limitações em Barra Mansa

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 12 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Em um cenário onde a violência contra a mulher permanece alarmante, o Centro de Atendimento Especializado à Mulher (Ceam), vinculado à Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH) de Barra Mansa, registra cerca de 2.800 atendimentos nos últimos nove meses. Os dados mostram que o equipamento tem cumprido seu papel básico de acolhimento, mas revelam também a dimensão do problema – e a urgência de respostas mais estruturais.


A unidade oferece suporte jurídico, social e psicológico para mulheres em situação de vulnerabilidade, muitas vezes vítimas de múltiplas formas de violência simultâneas. Entre abril de 2023 e janeiro de 2024, somente os atendimentos individuais somaram quase 900: 175 feitos por assistentes sociais, 268 pela equipe jurídica, 370 por orientadoras sociais e 86 por psicólogas. Mas, apesar do esforço das equipes, a estrutura ainda enfrenta limitações – desde a falta de ampla divulgação até a ausência de uma rede mais robusta de proteção efetiva.


O perfil das atendidas permanece o mesmo: mulheres entre 21 e 50 anos, em sua maioria vivendo em ciclos contínuos de violência que não se encerram com o atendimento pontual. Muitas dependem economicamente do agressor, não têm moradia segura e sequer conhecem os próprios direitos. A diretora de Direitos Humanos, Tamires Ferreira, destacou os esforços de capacitação interna e a ampliação do olhar para a diversidade, mas, na prática, o município ainda carece de ações preventivas mais eficazes e políticas públicas que rompam o ciclo de violência desde a base – educação, autonomia econômica e segurança.


A secretária de Assistência Social, Joseane Ricarte, diz que o Ceam é uma “porta de entrada” na rede de proteção, o que é verdade, mas não basta abrir a porta se o caminho posterior ainda é estreito, fragmentado ou burocrático. Em muitos casos, o Ceam consegue oferecer acolhimento inicial, mas esbarra na escassez de casas de abrigo, demora nos encaminhamentos judiciais e ausência de políticas intersetoriais bem articuladas.


Embora a unidade funcione dentro da própria sede da secretaria e esteja aberta de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, o horário comercial não contempla muitas mulheres que precisam de suporte fora desse expediente. A falta de plantões ou atendimento emergencial também é um obstáculo. O número 0800 para denúncias, embora disponível, é pouco conhecido da população – e muitas vítimas sequer sabem da existência do serviço.


O Ceam é, sem dúvida, uma iniciativa relevante e necessária. Mas o volume de atendimentos e os tipos de casos recebidos indicam que a violência de gênero em Barra Mansa está longe de ser enfrentada com a seriedade que exige. É preciso mais investimento, mais articulação com o Judiciário, mais campanhas educativas nas escolas, mais formação para profissionais da saúde e segurança pública – e, acima de tudo, vontade política para transformar discurso em ação concreta.


Enquanto isso não acontece, o que temos são profissionais comprometidas tentando conter, sozinhas, uma realidade estrutural que exige muito mais do que números em relatórios.


Foto Secom PMBM


 
 
 

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