Violência contra a mulher no Sul Fluminense: números alarmantes e desafios persistentes
- Marcus Modesto
- 26 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
O Brasil manteve, no primeiro semestre de 2025, uma média de quatro feminicídios e 187 estupros de mulheres por dia. Os dados, divulgados pelo Mapa Nacional da Violência de Gênero nesta terça-feira (26), mostram que, apesar de políticas públicas e campanhas de conscientização, a violência contra mulheres segue alarmante e disseminada em todo o país.
De janeiro a junho, foram contabilizados 718 feminicídios. São Paulo lidera em números absolutos (128 casos), seguido por Minas Gerais (60), Bahia (52), Rio de Janeiro (49) e Pernambuco (45). Desde a criação da Lei do Feminicídio, em 2015, já foram registradas 12.380 vítimas desse crime. A média de quatro mortes por dia se mantém nos últimos cinco anos, evidenciando a dificuldade em reduzir o índice.
No caso dos estupros, apesar de uma leve redução em relação a 2024 (quando foram 75.061 casos), o patamar continua elevado. No primeiro semestre de 2025, 33.999 registros foram notificados, resultando em 187 casos diários. A média dos últimos cinco anos é de 195 estupros por dia.
Realidade no Sul Fluminense
A violência contra mulheres no Sul Fluminense também chama atenção. Em Barra Mansa, dois homens foram presos por participação em um estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos. Em Três Rios, um homem foi detido por estuprar sua sobrinha entre 6 e 10 anos. Em Volta Redonda, casos de tentativa de feminicídio e agressões graves continuam a ocorrer, evidenciando a vulnerabilidade das mulheres na região.
Em Paraty, cidade turística e histórica, a situação é ainda mais preocupante. Em julho de 2025, uma mulher foi assassinada a tiros pelo ex-companheiro, que também matou o atual namorado dela, em um episódio que chocou a população local. No mesmo município, um homem foi preso por estupro de vulnerável contra uma criança de 8 anos. Esses casos reforçam a vulnerabilidade das mulheres mesmo em cidades de pequeno porte e com forte apelo turístico.

Estrutura de apoio e políticas públicas
O governo do Rio de Janeiro lançou o Observatório do Feminicídio, coordenado pela Secretaria de Estado da Mulher, reunindo informações de órgãos de saúde, segurança e justiça para embasar políticas públicas de enfrentamento à violência contra mulheres. Programas como a Patrulha Maria da Penha – Guardiões da Vida e o aplicativo Rede Mulher oferecem suporte às vítimas e monitoramento preventivo.
Em Paraty, a Coordenadoria Especial da Mulher atua como principal órgão de apoio, oferecendo orientação jurídica, acolhimento e campanhas educativas. A cidade também sediou o evento “Mulheres Inspiradoras e Futuros Possíveis”, com oficinas sobre enfrentamento à violência, rodas de conversa e exposições digitais, buscando fortalecer redes de apoio e conscientizar a população.
Especialistas alertam para a subnotificação
Beatriz Accioly, doutora em antropologia pela USP e especialista em políticas públicas de combate à violência contra mulheres, destaca que os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação. “Há um esforço para diferenciar homicídios de feminicídios, o que faz com que muitos casos não sejam contabilizados corretamente. É preciso tratar o tema como prioridade de gestão pública, com orçamento, planejamento e rede de atendimento fortalecida, principalmente fora das capitais”, afirma.
Vitória Régia da Silva, diretora-executiva da Associação Gênero e Número, reforça a urgência: “Não podemos naturalizar a morte e a violência como parte do cotidiano. Informação precisa se transformar em ação concreta”.
Caminhos para denúncia e apoio
Mulheres em situação de violência no Sul Fluminense podem buscar auxílio por meio de:
• Ligue 180 – Serviço nacional de atendimento à mulher, disponível 24 horas.
• Coordenadoria Especial da Mulher de Paraty – Telefone: (24) 3371-2282 / Instagram: @coordenadoriadamulherparaty
• Patrulha Maria da Penha e Delegacias Especializadas – Atendimento em Volta Redonda, Barra Mansa, Resende e demais cidades da região.
Os dados nacionais e locais mostram que a violência contra mulheres continua sendo um problema estrutural, com impactos profundos no Sul Fluminense e em cidades turísticas como Paraty. A combinação de subnotificação, recursos limitados e desigualdade de gênero exige atenção imediata do poder público, reforço das políticas de prevenção e apoio às vítimas, e mobilização da sociedade civil para que a segurança das mulheres não seja apenas uma promessa, mas uma realidade concreta.




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