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Violência contra ambulante estrangeiro expõe falhas na fiscalização da Prefeitura de Paraty

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 18 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

XO fim de semana em Paraty foi marcado por um episódio que manchou a imagem de uma das cidades mais turísticas do país. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um agente de fiscalização da Prefeitura agredindo um ambulante estrangeiro no Centro Histórico, derrubando sua bicicleta e aplicando um golpe no pescoço.


A repercussão foi imediata: moradores, turistas e parlamentares reagiram com indignação. Diante da pressão, a Prefeitura divulgou nota no sábado (17) informando o afastamento do servidor até a conclusão da apuração.


Um problema que vai além do indivíduo


Embora o Executivo municipal tente tratar o caso como um “desvio de conduta individual”, o episódio revela falhas estruturais na forma como a cidade conduz a fiscalização no Centro Histórico. A promessa de “ordem” e “organização” não pode ser confundida com violência, intimidação e truculência. Quando um agente público parte para a agressão, não é apenas o trabalhador ambulante que sofre: é a imagem de Paraty, como cidade histórica, turística e acolhedora, que fica comprometida.


Vozes de repúdio


Na Câmara Municipal, vereadores de diferentes partidos condenaram o episódio. Lucas Cordeiro (PDT) classificou o ato como “intolerável” e exigiu explicações. Já Vaguinho (PT) destacou o aspecto discriminatório da agressão:


“É inadmissível que trabalhadores, especialmente imigrantes, sejam tratados com truculência. Paraty deve ser exemplo de inclusão, diversidade e justiça social.”


O consenso político em torno da crítica mostra que a questão ultrapassa disputas partidárias: trata-se de uma demanda por respeito aos direitos humanos.


A nota da Prefeitura e as perguntas que ficam


Na nota oficial, a Prefeitura afirmou que a fiscalização é necessária, mas deve ser feita com diálogo e ética. Também prometeu revisar protocolos de atuação dos fiscais. A medida é correta, mas tardia. Afinal, quantos trabalhadores já passaram por situações semelhantes sem que houvesse câmera para registrar?


O episódio escancara um problema recorrente em muitas cidades turísticas: a tentativa de “embelezar” os centros históricos expulsando ou criminalizando trabalhadores informais, muitas vezes estrangeiros, que vivem do artesanato e do comércio de rua.


Mais que afastar, é preciso mudar a lógica


O afastamento do servidor é um primeiro passo, mas insuficiente. É preciso mudar a lógica de uma fiscalização que enxerga o ambulante como inimigo. Paraty se vende ao mundo como símbolo de diversidade cultural e resistência histórica. No entanto, se continuar tratando trabalhadores com violência, corre o risco de ser lembrada não pelo seu patrimônio, mas pela sua intolerância.



 
 
 

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