Violência sem controle em Paraty: cidade turística enfrenta onda de crimes
- Marcus Modesto
- 30 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Paraty, conhecida internacionalmente por seu patrimônio histórico e cenário paradisíaco, vive uma escalada preocupante de violência. Dados recentes revelam uma realidade sombria, em contraste com a imagem pacata que o município costuma transmitir — e que impactam moradores, turistas e economia local.
Crescimento no número de homicídios
De acordo com o Atlas da Violência 2024, Paraty registrou assustadores 50,8 homicídios por 100 mil habitantes em 2022, o segundo maior índice do estado do Rio de Janeiro em termos proporcionais . Esse cenário coloca o município como uma das áreas com maior letalidade da Região da Costa Verde, atrás apenas de São Francisco de Itabapoana.
Crimes recentes estremecem a cidade
• 20 de maio: dois jovens, de 19 e 22 anos, foram executados a tiros no bairro Novo Horizonte. O crime deixou a comunidade em choque e ainda está sob investigação pela Polícia Civil .
• 31 de maio: um policial civil aposentado foi morto. Em resposta, as delegacias de Paraty e Angra conduziram operação na comunidade Ilha das Cobras, resultando em duas mortes e cinco presos .
• Causas restritas à juventude: em junho do ano passado, um homem foi assassinado e um adolescente baleado em frente a uma loja, com pelo menos 18 disparos — suspeita-se que o crime tenha origem em disputas entre facções .
As facções e a disputa territorial
A violência em Paraty tem forte ligação com o crescimento do tráfico no município. A presença de grupos como o Comando Vermelho e o Terceiro Comando tem sido apontada como fator central nas mortes recentes — inclusive policiais e traficantes têm sido vítimas de conflitos entre facções rivais .
População juvenil em risco
A cidade também convive com a violência juvenil. Pesquisas acadêmicas apontam que, em 2016, Paraty esteve entre as 150 cidades brasileiras com mais assassinatos por armas de fogo, com a juventude sendo o principal alvo . As causas estão associadas a disputa de territórios por facções, expulsão de comunidades caiçaras e falta de políticas públicas efetivas para jovens na periferia.
Respostas do poder público
Diante do agravamento, iniciativas têm surgido, como o Observatório de Prevenção da Violência, liderado pelo Instituto Igarapé em parceria com a prefeitura. O objetivo é cruzar dados de educação, saúde e assistência para identificar vulnerabilidades e atuar preventivamente .
Panorama crítico
Paraty agora enfrenta um impasse entre seu potencial turístico e a violência urbana. Com taxa de homicídios extremamente alta, crimes recentes contra civis e agentes públicos, e facções cada vez mais atuantes, a segurança pública da cidade carece de ações integradas. A situação torna urgente o fortalecimento da inteligência policial, prevenção social e políticas voltadas à juventude.
Foto Marcus Modesto




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