Vistorias no Cemitério Municipal expõem gargalos antigos na gestão do espaço público
- Marcus Modesto
- há 5 dias
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A visita técnica realizada pela Secretaria Municipal de Ordem Pública de Barra Mansa ao Cemitério Municipal, no Centro, na manhã desta quinta-feira (29), reacende um debate antigo sobre a gestão do espaço cemiterial na cidade. Embora a prefeitura trate a ação como parte de um trabalho contínuo de organização e controle, a iniciativa também evidencia problemas estruturais e administrativos que se acumulam ao longo dos anos.
Segundo a administração municipal, as vistorias têm o objetivo de levantar as condições dos jazigos e aprimorar a gestão do cemitério, preparando futuras etapas de regularização administrativa, em conformidade com normas sanitárias e urbanísticas. No entanto, a necessidade recorrente desse tipo de levantamento levanta questionamentos sobre a eficácia do controle adotado até aqui e sobre a ausência de um sistema permanente de acompanhamento.
Durante a ação, a Secretaria reforçou o pedido para que cessionários de jazigos atualizem seus dados cadastrais junto à Coordenação do Cemitério Municipal. Para o secretário de Ordem Pública, Daniel Abreu, a medida é fundamental para melhorar a comunicação institucional e a gestão do equipamento público. Na prática, porém, a dependência quase exclusiva da iniciativa dos titulares expõe a fragilidade de um modelo que, historicamente, carece de registros organizados e fiscalização contínua.
Apesar do discurso oficial destacar responsabilidade e planejamento, a realidade enfrentada por familiares e visitantes aponta para desafios persistentes, como jazigos abandonados, informações desatualizadas e falta de transparência sobre critérios de regularização e concessão de espaços. Problemas que não surgiram recentemente, mas que agora voltam à pauta com a promessa de melhorias futuras.
A ação da prefeitura pode representar um passo necessário, mas ainda limitado, diante da complexidade da gestão cemiterial em Barra Mansa. Sem um plano claro, cronograma definido e ampla divulgação das próximas etapas, as vistorias correm o risco de se tornarem apenas mais um movimento administrativo pontual, distante de uma solução estrutural para um espaço que exige respeito, dignidade e gestão eficiente.
Foto Divulgação




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