Viviane Henriques assume Corregedoria do MPRJ sob discurso de orientação, mas desafio será enfrentar desgaste da instituição
- Marcus Modesto
- há 59 minutos
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A eleição da procuradora de Justiça Viviane Tavares Henriques para a Corregedoria-Geral do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ocorre em um momento delicado para a imagem e a credibilidade das instituições de controle no país. Escolhida nesta segunda-feira com 151 votos, ela comandará, a partir de junho de 2026, o órgão responsável por fiscalizar a atuação funcional de promotores e procuradores do MPRJ.
Atual subcorregedora-geral, Viviane foi candidata única no processo eleitoral, cenário que evidencia consenso interno, mas também levanta questionamentos sobre a ausência de debate público mais amplo dentro da própria instituição sobre os rumos da corregedoria.
A futura corregedora afirmou que pretende adotar uma gestão “mais voltada para orientação do que para punição”. O discurso, embora conciliador, chega em meio a cobranças crescentes da sociedade por maior rigor, transparência e fiscalização efetiva dos órgãos de controle.
Nos últimos anos, o Ministério Público brasileiro passou a enfrentar críticas relacionadas à seletividade em investigações, disputas internas e à dificuldade de punição de membros envolvidos em polêmicas. Nesse contexto, a postura da nova corregedora será observada com atenção não apenas internamente, mas também por setores da sociedade civil e do meio jurídico.
Integrante do MPRJ desde 1993, Viviane construiu carreira em áreas estratégicas da instituição, incluindo atuação no Tribunal do Júri e participação em grupos como o GAECO e o GAOCRIM. A experiência acumulada ao longo de mais de երեք décadas no Ministério Público foi destacada pelo procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, ao comentar o resultado da eleição.
Apesar do respaldo interno, o desafio da futura corregedora vai além da gestão administrativa. A Corregedoria-Geral ocupa posição central na estrutura do Ministério Público justamente por ser responsável pela fiscalização da conduta funcional dos membros da instituição — uma função frequentemente colocada à prova quando surgem denúncias envolvendo promotores e procuradores.
A votação registrou 185 participantes, com nove votos em branco e 11 nulos. Embora tenha obtido ampla maioria, o número de votos não válidos também chamou atenção nos bastidores da instituição.
Viviane tomará posse no dia 22 de junho de 2026, em sessão solene do Colégio de Procuradores de Justiça. Até lá, cresce a expectativa sobre qual será, na prática, o equilíbrio entre orientação e punição prometido pela futura corregedora em um dos cargos mais sensíveis do Ministério Público Fluminense.




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