Volta Redonda amplia inclusão com nova sede da Escola Dr. Hilton Rocha
- Marcus Modesto
- 2 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
Município investe mais de R$ 4 milhões em estrutura especializada para atendimento de pessoas com deficiência visual
Volta Redonda segue como referência nacional quando o assunto é inclusão e cuidado com pessoas com deficiência (PCDs). A cidade está na reta final das obras da nova sede da Escola Municipal Especializada Dr. Hilton Rocha, no bairro Voldac, que vai oferecer estrutura ainda mais moderna, acessível e preparada para atender estudantes com deficiência visual e deficiências múltiplas.
Atualmente funcionando provisoriamente no bairro Aterrado, a unidade atende 85 alunos, número que deve crescer com a conclusão da obra no Voldac. O novo prédio terá três andares e um anexo, com espaços para aulas de informática, música, alfabetização, estimulação precoce, além de biblioteca, auditório, refeitório, salas administrativas e banheiros adaptados. Um dos destaques será o Jardim Sensorial, projetado para estimular os sentidos através de texturas, aromas e sabores.
Mais do que uma escola, o espaço é uma oportunidade de transformação na vida dos alunos. A instituição não apenas oferece ensino, mas também promove reabilitação, autonomia e inclusão para quem perdeu a visão ao longo da vida — seja por condições genéticas, acidentes ou doenças como o diabetes.
A diretora da unidade, Vera Lúcia Ferreira Cruz, explica que o maior objetivo da escola é promover a independência dos estudantes. “Aqui, acreditamos no potencial de cada um. Trabalhamos para que os alunos se tornem autônomos e participem da sociedade de forma plena, sem depender dos outros. A vida não para e nem pode parar por conta de uma deficiência visual.”
Histórias que inspiram
A história de Quézia Moreira, de 38 anos, é um exemplo da importância da escola. Ela perdeu a visão em 2017, devido a um descolamento de retina causado pelo diabetes. Em pouco tempo, encontrou na Escola Dr. Hilton Rocha um caminho de superação. “A escola me ajudou a entender que a vida continua. Aprendi a me locomover, usar tecnologia, tocar bateria e até participar de uma rádio novela. Aqui, voltei a sorrir”, conta.
Quem também encontrou no espaço um motivo para seguir em frente foi Izabel Fumian Egídio, de 28 anos. Ela nasceu com baixa visão e, após uma série de complicações de saúde, perdeu totalmente a visão em 2021. Hoje, se dedica às aulas de orientação e mobilidade, artesanato e, especialmente, de assinatura. O motivo? Está prestes a se casar e quer garantir mais independência no dia a dia. “Aqui, aprendi a escolher frutas no mercado, fazer compras, me locomover. Isso vai ser fundamental para essa nova fase da minha vida”, afirma.
Para Conceição Maria de Souza Pereira, de 81 anos, frequentar a escola há décadas é mais do que uma rotina — é uma forma de viver bem. Ela perdeu a visão há 45 anos, mas encontrou no ambiente da escola um espaço de acolhimento e amizade. “Aqui, a gente se sente útil, aprende, dá risada e constrói laços. Digo sempre para quem tem deficiência: não fiquem em casa. Saiam, vivam, porque a vida continua.”
Foto Geraldo Gonçalves




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