Volta Redonda recebe comitiva de Angola interessada em modelo local de prevenção ao câncer
- Marcus Modesto
- há 7 dias
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Volta Redonda recebeu, nesta semana, representantes do Instituto Angolano de Controle do Câncer (IACC) que vieram conhecer de perto o funcionamento do programa municipal de rastreamento organizado do câncer, o Prevenir, e a atuação da Linha de Atenção Oncológica (LAO). A visita tem como foco a troca de experiências, a capacitação de profissionais e a possibilidade de implantar um modelo semelhante no país africano.
A comitiva angolana é formada pelo físico médico Higidio Miezi Eduardo, assessor da direção do IACC, e por Adelina Virgílio David da Silva, da área de gestão de pessoas. Os profissionais estão acompanhados da médica sanitarista Liz de Almeida, referência nacional na área e reconhecida como apoiadora do Prevenir desde sua implantação.
O grupo foi recebido nesta quarta-feira (28) pelo prefeito Antonio Francisco Neto e pela médica-oncologista Luciana Francisco Netto, coordenadora da LAO e do programa Prevenir, em encontro realizado no gabinete da Prefeitura. Também participaram da reunião representantes da Fundação Oswaldo Aranha (FOA), do Hospital da FOA — unidade responsável pela Unacon no município — e profissionais da Secretaria Municipal de Saúde envolvidos diretamente na execução do programa.
A visita ocorre como retribuição à ida da coordenadora da LAO a Luanda, capital de Angola, em outubro do ano passado. O intercâmbio teve início após o diretor do Instituto Angolano de Controle do Câncer, médico Fernando Miguel, conhecer os resultados obtidos em Volta Redonda, apresentados pela médica Liz Almeida, com quem já mantinha parcerias institucionais anteriores.
Durante o encontro, o prefeito Neto destacou o reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido no município e apresentou outras iniciativas da área da saúde consideradas inovadoras, como o Centro-Dia para pessoas com Alzheimer, o Centro Cardiológico Municipal, a rede de atendimento para autistas e projetos voltados à população idosa.
Segundo Higidio Miezi Eduardo, a experiência de Volta Redonda será utilizada como referência para a descentralização das ações de combate ao câncer em Angola. Atualmente, o atendimento oncológico no país africano é concentrado em um único instituto, o que dificulta o acesso da população ao diagnóstico e ao tratamento.
Adelina Virgílio ressaltou que, além de conhecer o Prevenir, a intenção da visita é firmar parcerias voltadas à formação de profissionais e ao fortalecimento da estrutura de saúde em Angola, que possui cerca de 37 milhões de habitantes. Para ela, o rastreamento organizado se mostra uma estratégia viável para enfrentar os desafios do diagnóstico tardio da doença.
A médica Luciana Netto explicou que os resultados alcançados em Volta Redonda comprovam a eficácia do modelo. Segundo ela, grande parte das lesões identificadas são pré-malignas e, quando tratadas, não evoluem para câncer. Além disso, aproximadamente metade dos casos confirmados é diagnosticada ainda nos estágios iniciais, com altas chances de cura.
Liz de Almeida reforçou que o sucesso do programa está ligado ao comprometimento da gestão municipal e à integração de toda a rede de saúde, da atenção básica aos serviços de alta complexidade. Ela destacou que a implantação de um sistema de rastreamento organizado pode transformar a realidade do câncer em Angola.
Agenda técnica na rede de saúde
Além das reuniões institucionais, os representantes do IACC visitaram o campus Três Poços do UniFOA e o Hospital da FOA, referência no tratamento oncológico em Volta Redonda. A agenda segue nesta quinta-feira (29), com visitas a uma unidade da Atenção Primária à Saúde e à Policlínica da Mulher, onde poderão acompanhar na prática o funcionamento do Prevenir.
Foto Cris Oliveira




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