Volta Redonda volta a debater direitos humanos em conferência municipal
Após anos sem uma conferência dedicada ao tema, Volta Redonda realiza no dia 12 de setembro a 3ª Conferência Municipal dos Direitos Humanos, na sede da Aciap-VR, das 8h às 19h. O encontro, aberto ao público, é organizado pela Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres e Direitos Humanos (SMDH) em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos Humanos (CMDH).
Além de debater propostas, o evento terá caráter deliberativo: os participantes vão eleger os delegados que representarão o município na etapa estadual, marcada para o próximo dia 26 de setembro, no Rio de Janeiro.
Um espaço de participação popular
A secretária Glória Amorim avalia que a conferência resgata um espaço essencial de diálogo entre sociedade e poder público. Segundo ela, a cidade precisa atualizar suas políticas diante de novos desafios:
“É o momento em que a população poderá dizer se houve avanços, retrocessos e o que ainda precisa ser construído. Conferência não é apenas debate acadêmico: é escuta coletiva e formulação de caminhos concretos”, afirmou.
Quatro eixos em pauta
A programação será organizada em torno de quatro eixos principais:
• combate às violações de direitos e à desigualdade social;
• fortalecimento da democracia e da participação popular;
• relação entre meio ambiente, justiça climática e direitos humanos;
• desafios internacionais e mecanismos institucionais de proteção.
Expectativa de propostas
O presidente do CMDH, advogado João Catta Preta, vê na conferência a chance de ampliar estruturas de acolhimento para vítimas de violência. Ele defende a criação de núcleos especializados de atendimento em delegacias e hospitais, com equipes multidisciplinares, além da expansão do programa de defensores de direitos humanos.
“Também é urgente estruturar um observatório para monitorar ameaças e ataques contra defensores, jornalistas e ambientalistas, garantindo respostas rápidas em articulação com o Ministério Público e o Judiciário”, ressaltou.
O que está em jogo
Para a integrante do CMDH, Cidinha Araújo, o encontro acompanha a diretriz nacional de construir um Sistema Nacional de Direitos Humanos.
“Precisamos consolidar a democracia e enfrentar retrocessos. Só com conferências que envolvam a população será possível avançar em garantias efetivas para todas as pessoas”, destacou.
De volta à agenda pública
A realização da conferência recoloca os direitos humanos na agenda política de Volta Redonda, que carrega em sua história a defesa de nomes como Dom Waldyr Calheiros, bispo que marcou época ao apoiar trabalhadores e movimentos sociais. A expectativa agora é que o evento não fique restrito a declarações de intenções, mas se traduza em políticas capazes de responder a problemas atuais, como a violência urbana, a exclusão social e a falta de atendimento adequado às vítimas de violações.
Foto Geraldo Gonçalves




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