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Último adeus a Jaguar reúne amigos, familiares e artistas no Rio

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 25 de ago. de 2025
  • 3 min de leitura

Cartunista, ícone do humor gráfico brasileiro, teve despedida marcada por homenagens e lembranças de sua trajetória no jornalismo e na cultura


O corpo do cartunista Jaguar, um dos nomes mais influentes do humor gráfico brasileiro, foi velado e cremado nesta segunda-feira (25), no Rio de Janeiro. A cerimônia contou com familiares, amigos e colegas de profissão, que relembraram sua irreverência e a importância de sua obra para a cultura e a liberdade de expressão no país. O espaço foi decorado com autorretratos e charges do artista, destacando seu traço irônico e provocador.


De acordo com seu desejo registrado em cartório, as cinzas do cartunista serão distribuídas em bares que frequentava no Rio e em São Paulo. Parte do roteiro, porém, não poderá ser cumprida, já que alguns dos estabelecimentos fecharam as portas, como o Bar Luiz, no Centro do Rio, e o Piratininga, na Vila Madalena. Estão confirmados dois pontos marcantes da boemia carioca: o Bracarense e o Jobi, ambos no Leblon.


“A ideia é separar as cinzas em diferentes saquinhos e ir levando de bar em bar”, contou Eliana Caruso, amiga da família.


Emoção e reconhecimento


Durante o velório, colegas prestaram depoimentos sobre a convivência e o legado de Jaguar. O humorista Marcelo Madureira destacou a influência que recebeu do cartunista:


“Eu gostaria de ter convivido mais. Foi um amigo que me ensinou muito, assim como Millôr. Um talento extraordinário, uma pessoa grandiosa.”


O fotógrafo e pintor Carlos Vergara recordou um presente especial:


“Tenho um desenho que ele me deu, acompanhado de uma frase inesquecível: ‘deixar a bebida é fácil, difícil é lembrar onde deixou’.”


O cartunista Chico Caruso, amigo de longa data, emocionou-se ao falar sobre a perda:


“Não tem como não rir dos desenhos do Jaguar, nem de estar ao lado dele. Era um companheiro sensacional, um artista inigualável. Millôr era grande, Ziraldo era grande, mas só ele era o Jaguar: inimitável.”


Trajetória de um ícone


Jaguar, cujo nome de batismo era Sérgio Jaguaribe, nasceu em 1932, no Rio de Janeiro, e iniciou a carreira aos 20 anos na revista Manchete. Em 1969, ajudou a fundar o jornal satírico O Pasquim, que se tornou símbolo da resistência cultural contra a ditadura militar. Foi na publicação que surgiu o personagem Sig, o ratinho que se tornou mascote do semanário.


Chegou a ser preso por uma charge considerada ofensiva ao regime e, anos depois, recebeu indenização da Comissão de Anistia. Ao longo da carreira, trabalhou com nomes como Millôr Fernandes, Ziraldo e Henfil. Também publicou livros marcantes, como Átila, você é bárbaro (1968) e Ipanema, se não me falha a memória (2000), e criou vinhetas para a TV Globo, entre elas o famoso “Plim Plim”.


Homenagens e repercussão


A notícia da morte, ocorrida no domingo (24), aos 93 anos, no hospital Copa D’Or, no Rio, em decorrência de complicações renais após uma infecção respiratória, repercutiu em todo o país. Nos últimos dias, Jaguar estava em cuidados paliativos.


O chargista Renato Aroeira definiu o amigo como “mestre, professor, inspiração e gênio”. Miguel Paiva confessou:


“Eu queria desenhar como ele, mas nunca consegui.”


Já André Dahmer ressaltou a dimensão cultural de sua obra:


“Era espirituoso, inteligente, dono de um trabalho imenso. Uma perda irreparável para todos nós.”


Com sua despedida, o Brasil perde não apenas um dos maiores nomes do humor gráfico, mas uma voz crítica e criativa que marcou gerações.



 
 
 

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